Médico lusodescendente, Fernando Lamego apela à suplementação com vitaminas no combate à Covid-19

Fernando Lamego

A pandemia de Covid-19 tem trazido novas informações acerca do novo coronavírus a cada dia que passa. Tratamentos, vacinas, sintomas e prevenção são palavras de ordem na luta contra o SARS-CoV-2.

Conversamos com o médico cardiologista Fernando Lamego que é lusodescendente e atua na linha de frente no combate à Covid-19. Este profissional trabalha também como ortomolecular e se diz um “médico que luta por uma medicina mais humanizada, com mais saúde e qualidade de vida e menos remédios”. Lamego defende o uso da suplementação com vitaminas sais minerais e probióticos para controlar a disbiose intestinal, que, segundo ele, “é a porta de entrada de todas as nossas doenças”.

Fernando Lamego considera ser possível mitigar os efeitos da Covid-19, e até mesmo evitar a sua infeção, tornando o nosso corpo mais resistente ao vírus com a ajuda das vitaminas.

O que as pessoas devem saber sobre a Covid-19?

O quadro clínico da infeção por SARS-CoV-2 é amplo, abrangendo desde infeção assintomática ou sintomas leves, tais como febre, fadiga, mialgias, doença do trato respiratório superior, até sintomas mais graves, como pneumonia viral, com risco de morte que exige internação hospitalar. Além disso, nós, médicos, estamos observando sintomas persistentes e disfunção orgânica inesperada e substancial após a infeção por SARS-CoV-2 em um número crescente de pacientes que se recuperaram. Sendo assim, a Covid-19 é uma doença nova, logo, a incerteza permanece quanto à possível saúde a longo prazo e possíveis sequelas.

Que precauções devem existir?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as principais precauções, as quais devem serem seguidas são: Lave as suas mãos com frequência. Use sabão e água ou álcool 70%; Não permaneça em aglomerações de pessoas e mantenha uma distância segura quando alguém estiver tossindo ou espirrando; Use máscara quando não for possível manter o distanciamento físico. Atualmente, é recomendado em locais onde há grande número populacional (como transportes públicos), o uso da máscara tipo PFF2 ou N95; Não toque nos olhos, no nariz ou na boca; e Cubra o seu nariz e boca com o braço dobrado ao tossir ou espirrar.

O que sabemos hoje sobre o novo coronavírus?

Quase um ano depois da pandemia pelo SARS-CoV-2, após adoecer milhões de pessoas em todo o planeta, muitos genomas deste coronavírus já foram descobertos. Sendo assim, o Covid-19 já passou por mutações – alterações acidentais no material genético do vírus. Neste contexto, novas cepas vêm favorecendo a capacidade de transmissão ou a gravidade da infeção. Logo, é válido lembrar que alterações genómicas no coronavírus levam a resistência à vacinas que estão no mercado atualmente. Assim, essas mesmas vacinas em algum dado momento poderão não funcionar nestas novas configurações.

Existe prevenção?

Sim. Devemos manter uma alimentação saudável evitar o sedentarismo, stress e fazer uma suplementação com vitaminas sais minerais e probióticos. Hoje, por mais que façamos uma alimentação balanceada, por inúmeras razões, ainda teremos necessidade de suplementar devido a baixa de nutrientes nos nossos alimentos. Atualmente, devido a agrotóxicos transgênicos, monocultura armazenamento preparo, disbiose intestinal, teremos uma carência enorme na quantidade e qualidade e na absorção desses micronutrientes essenciais ao nosso metabolismo e à nossa imunidade nos protegendo, assim, não só contra a Covid-19, mas, a diversas outras doenças, como o cancro, por exemplo.

Quais os principais sintomas da Covid-19?

Os principais sintomas são: febre, tosse, mialgia, cefaleia, dor de garganta (garganta arranhando), rinorreia, diarreia, náuseas e vômitos e sintomas inespecíficos.

Após infeção, que sequelas deixa na saúde?

Diversos estudos publicados vêm mostrando que as sequelas dessa infeção não se limitam apenas ao sistema respiratório. Disfunções orgânicas pós-Covid têm sido registadas no sistema cardiovascular e nos sistemas nervoso central e periférico. Além disso, legados importantes dessa trajetória infeciosa são sequelas psiquiátricas e psicológicas.

Como a comunidade internacional deve enxergar essa pandemia?

Não misturar com a política e com interesses financeiros. Investir em utilização de métodos como Ozonioterapia, suplementação de vitaminas sais minerais, probióticos, instituir o tratamento precoce em todas as cidades, pois já existem estudos consistentes, porém, como são substâncias baratas, não há interesse em fazer e sim criar drogas novas e caras com patentes.

Qual a importância da vacinação nesse tema?

São importantes para evitar a evolução para casos graves. Mas não são tão importantes quanto a profilaxia a prevenção e ao tratamento precoce.

O que se pode dizer sobre as variantes que surgiram?

Novos estudos devem surgir a respeito das novas variantes espalhadas pelo mundo. Porém, já sabemos que são mais transmissíveis. Sendo assim, não devemos esperar que novas tecnologias surjam para que não haja números absurdos de morte pelo Covid-19. Logo, devemos usar todas as armas que possuímos em prol da prevenção e tratamento sem agravo da doença.

Que desafios a pandemia trouxe para a área médica?

Um dos principais desafios da pandemia na área médica foi olhar o paciente como um todo e individualizar os tratamentos. Não existe milagre e nem Kit de medicamentos para nenhuma doença. Existe medicina baseada em evidências. Precisamos entender que os holofotes da sociedade voltados a pandemia, em especial a classe médica, por vezes, acabaram alimentando vaidades e ofuscando a perceção sobre a tênue fronteira entre o campo técnico-científico e o campo ideológico/partidário/politico. “A ausência de evidência não é evidência da ausência”, Carl Sagan.

Tem raízes em Portugal?

Sim. O meu sobrenome já diz: Lamego.

Ígor Lopes

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