Entrevista

“O movimento associativo é o primeiro agente cultural português no estrangeiro”, defende Catarina Ferreira, deputada portuguesa responsável pela Comissão de Negócios Estrangeiros e das Comunidades

Cristina Ferreira

A deputada portuguesa Catarina Rocha Ferreira, eleita vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD na Assembleia da República (AR), em Lisboa, será responsável pela Comissão de Negócios Estrangeiros e das Comunidades. Esta responsável, que segue no seu primeiro mandato, tendo ingressado na AR em outubro de 2019 como deputada, é ainda responsável pela Comissão da Agricultura e Mar, é membro efetivo da Comissão da Transparência e membro suplente da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

Em conversa com a e-Global, Catarina Ferreira falou sobre a importância e o papel das comunidades portuguesas para Portugal, ressaltou que o governo central em Lisboa deve garantir apoios excecionais à diáspora lusa e ao seu movimento associativo, defendeu a necessidade de investimentos nos consulados, sublinhou que é preciso “dar voz às comunidades e aos problemas que enfrentam” e revelou algumas das metas do seu mandato.

Recentemente, anunciou que terá novas funções envolvendo as comunidades portuguesas. Quais serão e o que pretende fazer?

Tendo sido eleita vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD, uma das minhas responsabilidades será a Comissão de Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas. Nesse âmbito, iremos prosseguir e continuar o excelente trabalho que o PSD já tem desenvolvido com bastante empenho ao longo dos anos, sempre na defesa das comunidades portuguesas e dando sempre voz às comunidades e aos problemas que enfrentam.

 

Como vê as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo?

As comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo são muito importantes para o nosso país porque levam Portugal ao resto do mundo. Dão uma dimensão maior ao nosso país, engrandecendo Portugal muito além da sua dimensão territorial.

 

Qual é a importância das comunidades portuguesas para Portugal?

O PSD é um partido que sempre foi precursor no alargamento dos direitos cívicos e políticos. Entendemos que somos um país repartido pelo mundo e entendemos que um país como o nosso, da nossa dimensão demográfica, não pode deixar de contar com aqueles que no estrangeiro podem ser não apenas nossos embaixadores, mas ainda contribuir para o desenvolvimento do país no plano local, nomeadamente nos territórios de baixa densidade, de onde muitos são oriundos.

 

Sobretudo na América do Sul, as comunidades portuguesas enfrentam problemas em época de pandemia, como reduções salariais, questões sociais e desemprego. De que forma o governo central em Lisboa pode auxiliar nesse cenário?

Na Assembleia da República, o PSD tem defendido e insistido, desde o início da pandemia, que face à situação excecional que as comunidades portuguesas estão a enfrentar, o governo central em Lisboa deveria garantir também apoios excecionais a essas comunidades.

 

Muitas entidades que promovem a cultura portuguesa em vários países, as chamadas casas portuguesas, estão sem atividades em virtude da Covid-19. Muitas dessas entidades, sobretudo no Brasil, estão ameaçadas de não poderem retornar as suas atividades. Como avalia essa questão e o que pode ser feito na sua opinião?

O Grupo Parlamentar do PSD já apresentou uma pergunta, da qual o Deputado Carlos Gonçalves foi o primeiro subscritor, porque o governo português devia ter definido um programa de apoios excecionais ao movimento associativo da diáspora, dado estarmos a viver uma situação excecional. Entendemos que o movimento associativo é o primeiro agente cultural português no estrangeiro e, no Círculo Fora da Europa, fundamental para o ensino da língua portuguesa. Em muitos países é, no fundo, quem representa o nosso país, a nossa língua e a nossa cultura.

 

Um dos grandes meios de contato entre o governo português e a diáspora lusitana são os consulados. No Brasil, os serviços consulares sofrem com o aumento da demanda de trabalho e com a insuficiência de trabalhadores para darem vazão ao atendimento necessário. O que pensa sobre os serviços consulares e como o governo português deve agir para melhorar esses serviços?

É necessário que o governo português faça um investimento urgente para se repor a qualidade de atendimento nos serviços consulares. Os atrasos enormes que se verificam nos serviços que são prestados causam enormes problemas e dificuldades a todos os portugueses que necessitam desses serviços. É um problema que já existia antes da pandemia, que já antes sofreu restrições e cortes, mas, neste momento, com a pandemia, lamentavelmente ainda se agravou.

Ígor Lopes

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