Entrevista

“Todos os meus trabalhos e viagens estão cancelados. Não sei o que é que vai acontecer, não faço ideia, não tenho nenhuma expectativa”, diz Gabriel Sarabando

A pandemia gerada pelo Covid 19 causa receios na economia mundial e os efeitos de uma nova recessão fazem soar os alarmes de Norte a sul. A Europa vive a sua maior crise desde 2008 e milhares de pessoas preparam-se para mudar de vida novamente.

Gabriel Sarabando, viajante, fotógrafo, escritor, regressou a Portugal há cerca de um mês e o futuro neste momento é uma grande incógnita. Com todos os trabalhos cancelados e sem possibilidade de viajar, arregaçou as mangas e alistou-se como bombeiro voluntário. “As pessoas têm muito medo”, admite.

 Por Ana Gonçalves

 

 

Assume-se, neste momento, como um viajante profissional?

Agora, posso dizer que sim.  Isto começou há seis anos. Eu era chefe de equipa de uma fábrica de esquentadores e  a empresa convidou-me várias vezes para ir fazer reparações noutros países, acabou por ser a empresa onde trabalhava que me despertou a paixão pelas viagens. Mas como aquele trabalho se tornou bastante desgastante, e, na altura, já tinha o meu estúdio, em 2018, deixei o meu trabalho na fábrica e comecei a dedicar-me por inteiro à fotografia e às viagens.

 

Qual foi o continente que mais explorou nas suas viagens e que mais o fascinou?

Sem dúvida alguma, África! As pessoas valorizam muito mais as relações entre si. A energia que ali existe não tem paralelo…  Angola, por sua vez,  foi o país que mais me surpreendeu. Fiquei encantado com as pessoas, o clima, a paisagem, as cascatas.

 

 

E agora com este estado de quarentena que se vive no mundo, de que forma é que vê a sua vida afetada?

Todos os meus trabalhos e viagens estão cancelados. Não sei o que é que vai acontecer, não faço ideia, não tenho nenhuma expectativa. Essencialmente, passo mais tempo em casa, vou ao meu estúdio de vez em quando e sou também bombeiro voluntário.

 

Como é que está a ser essa experiência em pleno surto da pandemia?

Como bombeiro voluntário tenho de cumprir os piquetes, prestar apoio quando é necessário, mas quando há alguma suspeita de uma pessoa infectada, é o INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), que trata da ocorrência. Mesmo assim temos tido muito trabalho. As pessoas ligam-nos muito assustadas, estão em pânico, mesmo quando têm apenas uma gripe ou constipação.

 

Concorda com as declarações do Presidente da República, quando este afirma que, “se trava uma guerra”?

Sim, sem dúvida e as consequências serão devastadoras, à semelhança de todas as outras guerras. Provavelmente, esta situação não se resolverá nos próximos meses.

 

Teme que o vírus Covid 19 se arraste também pelo continente africano?

Sim, muito. Não sei se os Estados vão conseguir responder a esta crise, se vão conseguir apoiar as populações, se os hospitais estão bem preparados. E, se for preciso ficar de quarentena, receio que muitas pessoas não tenham condições para permanecer em casa durante tanto tempo.

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