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Líbia: Bashir Sheikh reconhece melhorias no sul com chegada das tropas de Haftar

Sebha, capital da região de Fezzan (Google Map)

A situação na Líbia permanece confusa, apesar de uma brisa de calma pairar nas regiões do sul e progressivamente um ambiente de segurança começa a instalar-se com a chegada das tropas de Khalifa Haftar.

Nestas regiões, com uma população predominantemente tuaregue, a maior parte dos serviços básicos ainda não estão operacionais. O movimento “Ira de Fezzan” que se tornou numa plataforma de reivindicações das populações locais, continua a aguardar por respostas concretas, mas reconhece que algumas melhorias já são visíveis. Entrevista com Bashir Sheikh, líder do movimento.

E-Global: Qual é a situação geral na Líbia e particularmente na região de Fezzan?

Bashir Sheikh: A situação na Líbia está a melhorar pouco a pouco e a estabilidade começa a surgir ao fundo do túnel com a quietude que reina desde há alguns meses. Em Fezzan, uma região que atravessou um período conturbado, está igualmente a estabilizar e está a reencontrar de novo a paz que a população tanto desejava. Um ambiente que vai ao encontro de algumas das reivindicações do nosso movimento. Com o restabelecimento da segurança, o êxodo das populações locais começou a parar.

O avanço para o sul da Líbia do exército de Khalifa Haftar está, no seu ponto de vista, a contribuir na melhoria da situação económica e social das populações de Fezzan?

Sim, essa é a minha opinião e a população acolheu com satisfação a presença desse exército na região. Essa presença teve repercussões positivas iniciais com o regresso de um ambiente de segurança e calma, que a população pretendia e que levara uma parte da população a fugir, devido aos acontecimentos. No plano económico constatamos com satisfação que há liquidez financeira nos bancos, mas também electricidade e gás. Já temos de novo água, e “inchallah” que as penúrias vão fazer parte do passado.

Se as reivindicações da sua organização foram atendidas, e a população está satisfeita, ainda há motivos para o movimento “Ira de Fezzan” existir?

O nosso movimento foi criado num contexto particular e quando exigíamos a melhoria da situação social, económica, da segurança das nossas cidades e aldeias recuadas na região de Fezzan. Mas também exigimos que a nossa juventude possa trabalhar nas empresas que operam no sul, assim como a melhoria das condições de vida dos habitantes. Estas exigências eram os pontos centrais da nossa plataforma reivindicativa. Agora constatamos que há avanços significativos no terreno, mas ainda esperamos para ver, pois em caso de recuos nós retomaremos a nossa contestação.

Estamos muito confiantes. A população que sofreu com a instabilidade e a miséria, com a falta de medicamentos nos hospitais e a falta de profissionais da saúde, assim como teve de fazer face a todo o tipo de problemas… também acredita num regresso progressivo da estabilidade, em todos os sentidos. Graças a Deus a penúria de produtos alimentares de primeira necessidade e de grande consumo já faz parte do passado, pois os mercados estão repletos de produtos o que contribui para alimentar a confiança da população, que agora já não pensa em partir.

RK/RN

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