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Líbia: Os reféns ocidentais estão vivos, garante o vice-presidente da câmara de Ghat

Ahmed al Kleklee

Ahmed  al Kleklee, vice-presidente da câmara de Ghat no sul da Líbia, foi um dos intervenientes que convenceu grupos armados Toubous a renunciarem à luta armada. Os seus contactos nos círculos jihadistas levaram também Ahmed  al Kleklee a participar activamente nas negociações que permitiram a libertação de reféns, entre os quais dos reféns italianos detidos em 2016 por uma organização jihadista em Ghat. Al Kleklee tem acompanhado no local as recentes mutações do panorama político e militar, numa região apontada como sensível e de elevado valor estratégico, junto à conturbada fronteira argelina.

Qual é a situação no sul da Líbia, especificamente em Sabha, Morzoug e Oubari após a chegada das forças de Khalifa Haftar?

Ahmed al Kleklee: O exército líbio, sob o comando de Khalifa Haftar, conseguiu de facto controlar várias regiões no sul da Líbia e ocupa actualmente a maior parte de Oubari. Isto foi possível graças a uma acção coordenada com as tribos tuaregues e os seus chefes tradicionais. Eu mesmo tive um papel importante nesta acção depois de ter conseguido convencer vários chefes de tribos tuaregues da importância de todos estarem ao lado de Khalifa Haftar a garantir a segurança da região, que durante muito tempo este sujeita às exigências de diferentes grupos jihadistas e organizações criminosas.

Na qualidade de vice-presidente da câmara de Ghat, qual tem sido o seu papel na estabilização do sul do país?

Como vice-presidente da câmara de Ghat tinha o dever de orientar as sinergias para garantir a paz e a estabilidade da região. Uma tarefa que contou com o apoio de Ahmed Matko. Reuni com todos os chefes tribais e chefes de Katibas, e consegui que todos tomassem uma posição unânime defendendo a necessidade do restabelecimento da paz apoiando o exército na sua missão de estabilização.

Inicialmente a nossa posição foi rejeitada assim esbarrou com a radicalização das tribos Toubous, e dos seus chefes, que duvidaram da sinceridade de Khalifa Haftar. Mas com diplomacia conseguimos mudar esta apreensão inicial.

A deposição de armas por alguns grupos Toubous às autoridades do Níger é um dos efeitos práticos da sua influência junto destes grupos a se solidarizem com Khalifa Haftar?

Sim. As minhas relações pessoais com os chefes tradicionais Toubous permitiram-me os dissuadir de prosseguirem a acção pela via da violência. Como vice-presidente da câmara de Ghat, reuni com eles, tal como com outros os chefes tradicionais líbios, mas também do Chade e Níger. Estive também com representantes do Governo do Níger em que estavam presentes delegados do Governo e do departamento de justiça, mas também presidentes das câmaras de cidades fronteiriças dos países vizinhos. Finalmente a sabedoria acabou por prevalecer sobre qualquer consideração politica. Esta reunião, que se prolongou durante duas semanas, aconteceu em Dirkou no Níger, tendo os movimentos político-militares optado finalmente por deporem as armas às das autoridades do Níger.

A sua capacidade para negociar destacou-se com o seu papel que levou à libertação dos reféns italianos. Está de novo determinado em criar as condições que permitam a libertação do refém romeno, sul-africano e do sul-coreano, detidos no sul de Oubari?

Conheço muito bem os raptores, e estou pronto a entrar e contacto com eles de forma coordenada e de acordo com os desejos das famílias dos reféns e dos governos dos seus países de origem, que pretendam a libertação rápida destes reféns.

Como estão os reféns?

Estão vivos e bem de saúde. Confirmo esta informação a cem por cento.

Agora que as forças de Khalifa Haftar controlam as regiões do sul da Líbia, qual será o futuro dos grupos jihadistas que estavam presentes nesta região desde há vários anos?

Ahmed al Kleklee: é necessário ter em conta um ponto importante, estes grupos jihadistas têm um conhecimento profundo do terreno. Eles sabem avaliar quando o perigo é real, e mudam de região o tempo suficiente para se reestruturarem e adoptarem novas medidas e estratégias segundo a situação imediata.

KR/RN

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