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RCA: Djono Ahaba Gotran apela ao diálogo e à coesão social

Djono Ahaba H. Gotran é o atual Presidente do Rassemblement Patriotique pour le Renouveau de Centrafrique (RPRC) dos ex- Seleka, antigo deputado, ex-ministro de Estado dos transportes durante o regime Seleka. Centra o seu discurso no constante apelo à necessidade de diálogo e à unidade Nacional.  Djono é uma figura incontornável na política nacional e no futuro do país.

E-Global – Qual a sua opinião sobre a anulação das legislativas?

Djono Ahaba Gotran – Sobre a anulação das legislativas, creio que a atuação do Tribunal Constitucional foi muito positiva e corajosa. As eleições foram mal preparadas, mal organizadas e registaram-se muitas irregularidades. Não seria possível ter um governo eleito nesta base, por isso a anulação é positiva e permitirá que o povo faça uma escolha consciente e legitima do próximo governo.

Na sua opinião, quais as principais diferenças entre Touadera e Doguele?

Lamento, mas não quero responder a  essa questão.

Na sua opinião, qual o papel das Forças Internacionais presentes no país?

A presença das Forças Estrangeiras pode considerar-se vital para a RCA e para a sua pacificação. É fundamental que as Forças Internacionais estejam no terreno pois conferem uma segurança e uma tranquilidade que, sem elas, não seria possível. Só esta tranquilidade pode também trazer tranquilidade para que o processo político avance e se consolide.

Qual o papel que as FACA desempenham na situação de segurança da República Centro Africana?

As FACA têm um papel preponderante na segurança do país – e da capital – e são o futuro do nosso exército. Contudo tem que ser reformuladas e reorganizadas. Esse papel será da responsabilidade do programa DDR. É fundamental que o exército seja formado e que, os que atualmente pertencem a grupos de autodefesa ou milícias, larguem as armas e se dediquem a vida civil. É preciso que a filosofia e a ideia de combate abandone de vez as mentes dos centro-africanos. E que estes vejam que há muitas possibilidades de continuar a viver e a trabalhar que não no exército.

 Na sua opinião quais as principais medidas a tomar pelo novo executivo para fazer sair o país desta grave crise?

É fundamental que se dinamize o sector económico privado. As empresas jogam um papel determinante neste quadro e só esse desenvolvimento permitirá investir e desenvolver sectores tão fundamentais como a saúde e  a educação, por exemplo. Neste sentido deverão ser aproveitados os recursos naturais e as condições naturais do pais, nomeadamente a agricultura e a criação de gado.

Qual a sua opinião sobre o anúncio da criação pelo FPRC de um estado islâmico no norte do país?

Sobre essa suposta e anunciada constituição de um estado autónomo, o nosso movimento é absolutamente contra. O pais não pode nem será dividido. A RCA é um pais de coesão, de unidade. Aliás, não há nenhum tipo de movimento no país que queira o estabelecimento de um estado islâmico autónomo. Aliás é um assunto sobre o qual nem nunca ouvi falar, nem tenho conhecimento, porque é simplesmente falso e tratar-se-á certamente de alguma campanha com propósitos menos claro. É totalmente falso.

Quer deixar uma mensagem aos seus concidadãos e as autoridades que serão brevemente eleitas?

 Deixo uma ultima mensagem, que o povo trabalhe em sintonia com o próximo Governo que sair destas eleições e que as autoridades centro-africanas procurem empenhar-se no desenvolvimento do país, para que este cresça e se torne forte.

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