Brasil | Igor Lopes | Reportagem

Brasil: Eleições municipais. Mais de 113 milhões de brasileiros votaram no último domingo; lusodescendentes foram reeleitos.

A primeira volta das eleições municipais no Brasil, no último domingo, dia 15, “transcorreu com segurança e tranquilidade em todo o país”, declarou o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do país. Ao todo, 113 milhões de eleitores votaram em 5.567 municípios. Cinquenta e sete cidades brasileiras conhecerão o chefe do Poder Executivo Municipal apenas na segunda volta, marcada para o dia 29 de novembro. A abstenção chegou a 23%, número “pouco acima” da registada nas Eleições Gerais de 2018. A cotagem dos votos terminou às 23h55 do próprio domingo. No Brasil, os votos são registados em urnas eletrónicas e votar é um dever cívico obrigatório.

De acordo com o presidente do TSE, “um dos dados mais relevantes das eleições deste ano, realizada em meio a uma pandemia, foi o índice médio de abstenção de pouco mais de 23%, número pouco superior ao registado nas Eleições Gerais de 2018”.

“Queria cumprimentar, de coração, o eleitorado brasileiro que compareceu em massa, apesar das circunstâncias. Efetivamente, conseguimos fazer com que tudo acabasse bem, com resultados no mesmo dia, fidedignos e todos auditáveis e conferíveis”, lembrou Barroso, que lamentou, porém, o adiamento no processo de totalização e divulgação dos resultados, “provocado por um problema técnico”.

Para o ministro, “a única consequência desse problema foi o atraso de pouco menos de três horas na divulgação dos dados, sem qualquer risco para a integridade do sistema e para a transparência dos resultados”.

Lusodescendentes reeleitos

No Rio de Janeiro, os vereadores Teresa Bergher, portuguesa do distrito de Viseu, e Paulo Pinheiro, lusodescendente, foram reeleitos para a Câmara Municipal local. Das 51 vagas disponíveis, Bergher foi a 13ª votada, com 21.131 votos. Já Paulo Pinheiro foi o 31º, com 14.760.

Em outro cenário, a lusodescendente Martha Rocha, candidata à prefeita do Rio, não conseguiu chegar à segunda volta depois de conquistar o terceiro lugar na votação, com 297.751 votos (11,30%), atrás de Paes e Crivella, que seguem para mais um pleito. Martha Rocha teve 279.074 menos votos do que o segundo colocado, Crivella, atual prefeito. Nas redes sociais, Martha Rocha, que volta a ocupar o posto de deputada estadual no Rio, agradeceu ao apoio da população.

Em Porto Alegre, o lusodescendente Mauro Pinheiro obteve 4.947 votos, o que lhe garantiu a 16ª vaga das 36 disponíveis na Câmara Municipal porto-alegrense.

Rio e São Paulo ainda sem “vencedores”

A escolha dos prefeitos das cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro ainda não está finalizada. Vai ser necessária uma segunda volta para se poder conhecer a vontade da população.

Na cidade maravilhosa, a disputa será entre Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio por duas vezes, e Marcelo Crivella, atual prefeito carioca. Após a contagem dos votos, foi constatado que Paes obteve 974.804 votos (37,01% dos votos válidos), contra 576.825 (21,90%) votos recebidos por Crivella. No Rio, foram registadas 1.590.876 abstenções (32,79% do total do eleitorado), 213.138 votos em branco (6,54%) e 413.962 votos nulos (12,69%).

Já no caso da cidade de São Paulo, a disputa ficará entre Bruno Covas, atual prefeito, e Guilherme Boulos. Covas recebeu 1.754.013 votos válidos (32,85%) e Boulos, 1.080.736 votos válidos (20,24%). Foram registadas 2.630.804 abstenções (29,30% do total do eleitorado), 372.715 votos em branco (5,87%) e 641.754 votos nulos (10,11%).

Segunda volta no final de novembro

Eleitores de 18 capitais brasileiras vão definir prefeitos e vice-prefeitos apenas na segunda volta das Eleições Municipais 2020, que ocorrerá no dia 29 de novembro. Além dessas capitais, outras 39 cidades levaram a disputa da Prefeitura para a segunda volta, num total de 57 cidades.

Segundo o TSE, a região Nordeste é que tem a maior quantidade de capitais (sete) que ainda não definiram o chefe do Executivo: Maceió, Fortaleza, São Luís, João Pessoa, Recife, Teresina e Aracaju. Na sequência, vem a Região Norte, com cinco capitais que irão necessitar de mais um pleito: Rio Branco, Manaus, Belém, Porto Velho e Boa Vista.

Os eleitores de Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) também terão de comparecer às urnas no próximo dia 29.

Cuiabá (MT) e Goiânia (GO) são as duas únicas capitais no Centro-Oeste brasileiro a disputar a segunda volta das eleições. No Sul, apenas Porto Alegre (RS) terá disputa no último domingo deste mês.

Ataques cibernéticos

As autoridades brasileiras estão a investigar a tentativa de ataque ao sistema da Justiça Eleitoral no domingo e que foi “prontamente neutralizada” pelo TSE e pelas operadoras de telefonia do Brasil.

O ministro da Justiça e da Segurança Pública, André Mendonça, informou que os órgãos de segurança, capitaneados pela Polícia Federal, estão “trabalhando em total sintonia com área de Tecnologia da Informação do TSE para identificar os responsáveis, e garantiu que não existe nenhum indicativo de prejuízo ao pleito eleitoral”.

Após “uma apuração complexa”, a equipa de especialistas da Secretaria de Tecnologia da Informação do TSE identificou 486 mil conexões por segundo para tentar “derrubar, sem sucesso”, o sistema de totalização de votos.

“Houve um ataque massivo proveniente dos Estados Unidos, da Nova Zelândia e do próprio Brasil para tentar ultrapassar as barreiras de segurança de Tecnologia da Informação do TSE, mas que não obteve nenhum êxito”, garantiu Barroso.

Participação portuguesa?

Nos últimos dias, notícias divulgadas na imprensa portuguesa informaram sobre tentativas de invasão do sistema do TSE provenientes de Portugal. Para esclarecer o assunto, a nossa reportagem conversou com fontes do TSE que revelaram que “os supostos vazamentos de informações sobre servidores” ocorreram “antes de 23 de outubro deste ano, e com factos ainda mais pretéritos, divulgando informações e dados administrativos de 2001 a 2010, de ministros reformados e ex-servidores”. Embora o ataque tenha tido início em Portugal, essa ação “nada tem a ver com as tentativas do último domingo, que foram neutralizadas”. A Polícia Federal do Brasil está a tratar dessas investigações.

Barroso foi enfático ao defender a utilização de urnas eletrónicas nas eleições brasileiras e a segurança do pleito: “(..) devemos lembrar que as urnas não estão na rede”.

Balanço “positivo”

O TSE informou que, dos 147,9 milhões de eleitores aptos a votar, 113,3 milhões (76,86%) compareceram às urnas, o que significa uma abstenção de 23,14% (34,5 milhões). Em anos anteriores, a abstenção ficou em torno de 20% (2018) e 17% (2016). Os estados que tiveram o menor percentual de abstenções foram Piauí (15,42%), Paraíba (15,78%) e Ceará (16,93%).

Quase quatro milhões de eleitores votaram em branco para prefeito e 4,4 milhões para vereador. Já os votos nulos totalizaram 2,4 milhões para prefeitos e 937 mil para vereador.

O percentual de mulheres eleitas para o cargo de chefes do Poder Executivo local aumentou, em relação ao pleito de 2016. Passou de 11,57% para 12,2%.

Já a quantidade de candidatos que se autodeclararam negros ou pardos que foram eleitos prefeitos aumentou de 29%, em 2016, para 32% este ano. O número de prefeitos de origem indígena eleitos também cresceu de dois (2016) para oito (2020).

Ígor Lopes

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