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Amante da cultura portuguesa, Wagner Franco defende um “combate contínuo à corrupção” caso seja eleito vereador na cidade do Rio de Janeiro

Wagner Franco é formado em direito, tem 49 anos de idade e há mais de duas décadas atua na área da segurança pública no Rio de Janeiro. Este ano, é candidato ao cargo de vereador na Câmara Municipal da cidade maravilhosa. Franco conhece bem os desafios no combate à criminalidade nessa cidade brasileira. Se eleito, pretende trabalhar politicamente temas como segurança, ensino e emprego.

Este candidato não esconde o orgulho que tem pela cultura lusitana. Prova disso é que chegou a integrar o tradicional Grupo Etnográfico de Cantares e Dançares João Ramalho no Rio. Em entrevista à e-Global, Wagner Franco falou sobre as motivações da sua candidatura, destacou alguns dos problemas do Rio, enfatizou projetos em mente, sublinhou a sua ligação à cultura portuguesa e deixou claro um dos seus grandes desejos: “ainda conhecerei a região de Lafões”.

O que está motivando a sua candidatura para atuar na Câmara Municipal do Rio de Janeiro?

Ao longo dos últimos anos, tivemos uma crescente dos partidos de esquerda que desrespeitam pautas conservadoras e pró-vida, sobretudo o ataque aos valores cristãos, da família e das liberdades individuais. Alinhados a isso, vimos a corrupção desenfreada nas instituições, fragilizando e trazendo prejuízos incontáveis ao desenvolvimento do nosso país, estado e município.

Que desafios os próximos vereadores do Rio terão numa época pós-pandemia?

O primeiro deles será o combate incansável à corrupção, que é o cancro da nossa sociedade. A médio e a longo prazos, será preciso construir políticas públicas de geração de empregos.

Como o covid-19 está impactando o Rio?

No início desta crise sanitária mundial, tivemos muitas informações desencontradas e muita politização que nos afastaram das hipóteses de tratamento precoce, que hoje se mostram eficazes. Ainda que pese os casos de corrupção, que levaram a prisão de secretários de saúde e ao afastamento do nosso governador, a prefeitura fez um trabalho exemplar e conseguiu manter o sistema de saúde em níveis aceitáveis, com equipamentos adequados, equipa médica capacitada, equipamentos de proteção individual e medicamentos. Não tivemos crise de sobrelotação em nenhuma unidade.

Que planos tem para a cidade do Rio de Janeiro?

O primeiro deles é aumentar o controlo e a fiscalização das contas do executivo, evitando na origem problemas de corrupção. Tornar a guarda municipal mais eficiente, armando-a e integrando-a aos demais órgãos de segurança pública. Rever leis antiquadas que dificultam a instalação de fábricas e de comércio, e, por fim, ter um olhar mais cuidadoso ao ensino nas escolas da prefeitura!

Como pretende atuar em favor da cidade?

Potencializando ações integradas de segurança que tragam de volta investimentos através da instalação de indústrias, comércio e turismo.

O que é necessário para cuidar dos cariocas?

Antes de mais nada, é preciso conhecer as suas mazelas e os desafios enfrentados por eles, a fim de atacar os problemas de forma objetiva.

De que forma, como vereador, pode auxiliar o Rio de Janeiro?

Ao longo dos últimos anos, os vereadores não foram a fundo em questões importantes, como fiscalização das contas públicas, e não retificaram leis antiquadas, ou criaram novas, mais adequadas a esta nova realidade.

Em que áreas pretende atuar?

Segurança, ensino e emprego.

A situação das contas públicas do Rio parecem também ser um problema. Como avalia e que informação tem?

Durante os grandes eventos que tivemos no Brasil, mormente no Rio de Janeiro, como o Mundial de futebol e os jogos Olímpicos, recebemos muitos recursos, que, em razão do processo de corrupção que hoje começa a aparecer, como fruto da investigação da lava-jato, entre outras, que foram mal investidos, não deixando legados e ainda uma grande dívida para a administração do atual prefeito.

De que forma a política nacional, ou seja, o governo Federal, deve olhar para a cidade do Rio?

Em razão das dívidas geradas pelo processo de corrupção, sobretudo durante os grandes eventos, o Rio de Janeiro passou a ser um devedor do executivo federal. Enquanto credor, o governo federal precisa renegociar as nossas dívidas, dando-nos condições de reorganizarmos o caixa.

Ser político no Rio de Janeiro é hoje visto de forma crítica e negativa por parte da população local. Políticos estão a ser responsabilizados por má gestão e corrupção. Como acha que é ser vereador na cidade maravilhosa?

Durante as minhas andanças, talvez essa seja a maior crítica que tenho ouvido dos políticos, da “velha política”, a sua má gestão e também o processo de corrupção em que muitos estão envolvidos. Ainda seremos vistos de forma preconceituosa, e levará ainda algum tempo para que voltemos a ter credibilidade por parte da população.

Que realizações políticas pretende alcançar?

Hoje, tenho um compromisso objetivo com o município, na medida que for necessário, estarei a disposição para concorrer a outros cargos, como o deputado.

Vai concorrer por qual partido? Qual é a orientação do seu partido?

Estou filiado ao Republicanos, que é um partido de direita e conservador .

Que cargos e funções ocupa neste momento?

Sou policial civil há 21 anos.

Como avalia o governo do atual prefeito do Rio, Marcelo Crivella?

O atual prefeito recebeu uma prefeitura falida, sem dinheiro em caixa e com muitas dívidas. Em razão da diminuição da receita, sobretudo provocados pela baixa arrecadação, e pelo pagamento de juros de empréstimos, assumidos pelo seu antecessor para cobrir dívidas dos jogos olímpicos, teve dificuldades de gestão. Ainda que com desafios orçamentários, tomou decisões importantes como o descredenciamento de algumas OS que foram contratadas de forma irregular, deixou de investir no evento privado da Sapucaí, investimento todo o recurso, antes usado para este fim, em creches, montar o primeiro hospital de campanha do Brasil com 500 leitos, completamente equipado. Quando diminuiu o fluxo neste hospital, encaminhou os respiradores não utilizados para mais de 25 municípios do Rio de Janeiro e também de outros estados da federação, fazendo o papel, durante a pandemia, de prefeito e governador do Rio de janeiro, por fim, retomou ao controlo da prefeitura a via Linha Amarela, que funcionava através de um processo fraudulento que onerava os usuários daquela via.

Quais são as suas ligações a Portugal?

Aa minhas ligações com a cultura portuguesa começaram há mais de 20 anos, quando integrei o Grupo Etnográfico de Cantares e Dançares João Ramalho, na ocasião, instalado na Casa das Beiras.

Que imagem tem de Portugal?

É um país que conheci primeiramente através dos livros e que passei a admirar mais ainda durante a minha participação no grupo João Ramalho. Lá fui bailador, tocador e cantor e, com o Jorginho Portugal e o seu amor lusitano incondicional, aprendi e conheci sobre a cultura, gastronomia, história e importância para a formação do povo brasileiro.

Que locais prefere nesse país europeu?

Embora o tenha vivido na sua essência, através da cultura do João Ramalho, eu ainda não o conheço, mas ainda conhecerei a região de Lafões.

Tem alguma interação com a comunidade ou cultura de Portugal no Brasil, no Rio?

Por muitos anos, integrei o grupo João Ramalho, onde pude participar em muitos festivais, de várias casas, e troquei experiências e fortaleci a minha paixão por essa cultura.

Que locais de influência portuguesa gosta de frequentar no Rio?

A culinária talvez hoje seja o grande atrativo e gosto de algumas casas que estão estabelecidas no Centro de Distribuição do Rio de Janeiro (CADEG).

Que mensagem deixa para os cariocas? Acredita que o Rio possa voltar a ter uma imagem positiva perante os seus habitantes e perante o mundo?

Acredito nos valores conservadores do direito à vida, das liberdades individuais e do direito à autodefesa. Acredito ainda que ações integradas de segurança, o combate contínuo à corrupção e o investimento no ensino de qualidade trará ao cidadão de bem do município do Rio de janeiro a tranquilidade desejada, a indústria voltará a investir, o comércio, a crescer, e a gerar empregos, fazendo com que o Rio de Janeiro volte a ser uma cidade maravilhosa.

Ígor Lopes

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