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Venezuela: Eleição do novo presidente da Assembleia Nacional divide a oposição

Com o início do novo ano legislativo da Assembleia Nacional (AN) da Venezuela marcado para 5 de Janeiro próximo começa a notar-se que a eleição de uma nova estrutura de direcção deste órgão poderá vir também a marcar o recrudescimento de algumas divergências dentro da bancada da Oposição, a qual controla a maioria dos Deputados eleitos nas parlamentares de 6 de Dezembro de 2015.

A eleição de Ramos Allup para Presidente da AN foi feita por votação directa e secreta entre os membros da bancada de Oposição. Na altura, foi também acordado que a partir de 2017, os cinco cargos de Direcção daquela câmara (Presidente, 2 vice-Presidentes e 2 Secretários) seriam rotativos, permitindo que todos os partidos que integram a denominada Mesa de Unidad Democrática (MUD) participem na condução do processo legislativo.

Segundo o acordo estabelecido, Júlio Borges, do Partido Primero Justicia (PJ), actual chefe de bancada da MUD, seria o Presidente para 2017, acompanhado na primeira vice-presidência do Partido Voluntad Popular (VP) e de uma segunda Vice-Presidência oriunda de um dos partidos minoritários, com os Secretários a serem provenientes da AD (Alianza Democrática) e da UNT (Unión Nacional de Trabajadores).

Porém, nas últimas semanas, o Deputado Oficialista Diosdado Cabello, antigo Presidente da AN, proferiu alguns avisos referindo que estaria a preparar-se dentro da MUD um ardil a Júlio Borges com a sua eleição.

Também os analistas políticos Luís Vicente León e Félix Seijas, em entrevista ao diário El Nacional referiram que, de um modo geral, o desempenho de Allup não depreciou a imagem da Assembleia Nacional. Mais, terá mesmo ganho um apoio popular significativo, considerando-se que a sua imagem terá mesmo beneficiado a Instituição, aproximando-a da população.

Também o deputado Juan Guaidó, em declarações ao El Nacional, afirmou que Júlio Borges, no cargo que desempenha neste momento, mostrou a capacidade em consolidar a MUD conferindo-lhe também a capacidade para que se concretize a sua nomeação.

O problema da nomeação de Júlio Borges reside no facto de nos últimos dias ter sido tornado público, através do Twitter da jornalista Amanda Sanchéz, do canal Vivo Play, que os trabalhadores da Assembleia Nacional estariam a recolher assinaturas para solicitar a manutenção de Allup à frente da Instituição, defendendo um novo período legislativo, para o ano de 2017.

Um número considerável de deputados apoia também a política de abertura do actual Presidente e admitem reservas pela forma “sectária” de nomear o deputado Julio Borges pela sua trajectória política referindo que “com Allup podemos falar, com Júlio não se cumprem acordos (…)”.

Nas últimas semanas Allup tem reforçado a sua presença em eventos públicos, no que está a ser entendido como acções de pré-campanha.

Apesar da MUD ter confirmado que os acordos serão respeitados e que Júlio Borges tomará posse em Janeiro próximo, o actual processo para eleição da direcção da AN reflecte um ainda maior agravamento das tensões dentro da Oposição. Por outro lado, a incerteza gera um crescendo de descredibilização daquela Assembleia junto de uma população que atravessa condições extremas de deterioração da sua qualidade de vida, e que aguarda com expectativa a tomada de posse da nova Direção da Assembleia Nacional, depois do fracasso do cumprimento da agenda proposta em Janeiro de 2016.

Luís Enrique Gil, em Caracas

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