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Líbia: Khalifa Haftar e a Turquia dialogam com violentas ameaças

Libia Khalifa Haftar
Khalifa Haftar

O cessar-fogo na Líbia assinado Outubro sob os auspícios da ONU, está a passar um mau momento e vários indícios apontam que as hostilidades podem retomar.

O marechal Khalifa Haftar, que chefia o Exército Nacional Líbio, que se opõe às forças do Governo de União Nacional de Fayez al-Sarraj em Tripoli, legitimado pela Comunidade Internacional e pela ONU, durante as comemorações da independência da Líbia apelou aos seus combatentes para “caçarem o ocupante” turco e garantiu que “não haverá paz com a presença de um colonizador nas nossas terras”, fazendo alusão à Turquia.

A Turquia tem prestado um apoio militar vital às forças de Fayez al-Sarraj que corriam o risco de capitular face à ofensiva de Junho de 2019 das tropas de Haftar. A relação de forças alterou de campo com o envolvimento oficial de Ancara no conflito líbio a lado de Fayez al-Sarraj.

Qualificando de “criminoso de guerra e assassino”, o ministro da Defesa turco Hulusi Akar respondeu a Khalifa Haftar advertindo que “Haftar e as suas forças sabem que serão considerados alvos legítimos em caso de ataque contra as forças turcas”.

Fayez al-Sarraj, que anunciara a sua partida do governo de Tripoli, tentou acalmar o elevar das tensões e incitou os seus compatriotas a “virarem a página dos desacordos para atingirem a estabilidade”. Declarações que foram ignoradas.

Ambas partes em conflito aproveitaram o período de cessar-fogo para se reequiparem, reorganizarem e recrutarem. Ambos estão reforçados. De um lado, Fayez al-Sarraj que conta com um apoio tímido da Comunidade Internacional, um suporte vital da Turquia e também da adesão de múltiplas milícias de horizontes por vezes incómodos para a Comunidade Internacional.

Por sua vez, Khalifa Haftar é apoiado pela Rússia e os Emirados Árabes Unidos, mas também, de forma ambigua pelo Egipto que teme a instalação em Tripoli de um regime oposto ao Cairo mas também que a Líbia torne-se num “refugio” de organizações terroristas islamistas hostis ao Egipto. Khalifa Haftar conta também nas suas fileira com milícias sudanesas e chadianas, bem como alguns chefes tribais líbios.

Receando uma retoma dos combates, Fayez al-Sarraj optou por uma ofensiva diplomática junto dos apoios tradicionais de Khalifa Haftar. Promoveu uma aproximação do Egipto que há seis anos cortara as relações diplomáticas com a Líbia, e enviou o seu chefe da diplomacia Mohamed Syala a Moscovo que reuniu com o homólogo russo Sergueï Lavrov. Uma dinâmica que é considerada pelo campo de Haftar como “manobras de diversão diplomática”.

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