Diplomacia | Portugal

Augusto Santos Silva focado em defender os “interesses e o bem-estar” dos portugueses

Ministro Augusto Santos Silva

Após as eleições legislativas deste ano, em Portugal, Augusto Santos Silva foi novamente nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros, posto que lhe impõem diversos desafios diplomáticos, mas que também é responsável por articular a melhoria das políticas voltadas para a diáspora portuguesa no mundo.

Em conversa com a e-Global, o ministro realçou que o apoio ao associativismo é uma das prioridades da sua pasta e destacou que, atualmente, e tendo em vista o cenário global, temas como o Brexit, a situação vivida na Venezuela e as incertezas ligadas ao conflito comercial entre os Estados Unidos da América e a China necessitam de especial atenção por parte do corpo diplomático português, assim como o funcionamento dos consulados portugueses em diversos países. Sobre o Brasil, Augusto Santos Silva diz acreditar que as pessoas confiam nas suas ideias e frisou que avalia positivamente o associativismo português no país irmão.

 

Como está a analisar o início do seu novo mandato à frente do MNE?

Com a determinação de quem tem um programa a cumprir.

 

Que desafios atuais lhe deixam em maior estado de atenção em relação às atividades do Ministério?

Os desafios mais imediatos são o Brexit, a situação vivida na Venezuela e as incertezas ligadas ao conflito comercial entre os Estados Unidos da América e a China.

 

Uma vez que vê renovada a sua permanência como responsável pela pasta dos Negócios Estrangeiros, o que pensa fazer diferente?

A linha de ação é de continuidade, mas, evidentemente, que haverá sempre novos desafios.

 

Há novos projetos em marcha?

Sim, claro. A preparação da Presidência Portuguesa da União Europeia, o objetivo de fazer pular as exportações até 50% do Produto Interno Bruto (PIB) ou a expansão do ensino do português para mais países, apenas como exemplos.

 

O que espera dessa nova experiência na sua carreira?

Espero cumprir mais este serviço público o melhor que sei.

 

O que a comunidade portuguesa espalhada pelo mundo pode esperar da sua nova gestão?

Todo o empenho na defesa dos interesses e do bem-estar dos portugueses.

 

Como enxerga a eleição dos novos deputados pelo círculo da emigração? O que espera do trabalho deles?

Espero o mesmo afinco de sempre na representação dos seus eleitores, mas, agora, com mais legitimidade, visto que votaram cinco vezes mais pessoas.

 

Durante a sua nova gestão, como será a aproximação e conversação com os responsáveis pelo Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP)? Em que esse órgão pode auxiliar o MNE?

O CCP é um órgão muito importante para a Assembleia da República e o Governo. A senhora Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas trabalhará muito perto com o CCP.

 

Que orientações passou à nova Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas? Em que linha espera que essa Secretaria de Estado avance?

Na continuidade do trabalho já realizado e com cinco grandes prioridades: a reforma dos serviços consulares; o apoio ao associativismo; a promoção do investimento da diáspora; a implementação em Portugal do Pacto das Migrações; e a melhoria das condições de participação eleitoral dos portugueses residentes no estrangeiro.

 

Um dos pontos de maior preocupação por parte das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo é em relação aos serviços consulares. Atrasos no atendimento, dificuldades de agendamento, incapacidades operacionais, informações deficientes, existência de poucos funcionários e colaboradores são alguns dos temas que fazem parte da lista de reclamações por parte dos utentes. Existe algum plano para “combater” essas problemáticas?

Permito-me recordar que, ao contrário do que havia sucedido com os meus imediatos predecessores, comigo não houve consulados a fechar, mas, sim, serviços a abrir, assim como novas contratações e o reforço dos meios nas situações mais difíceis, desde logo, na Venezuela e em relação ao Brexit.

 

Recentemente, esteve no Brasil no âmbito da campanha política em torno das eleições legislativas, mais concretamente como deputado “cabeça de lista” pelo Partido Socialista pelo círculo fora da Europa. Qual é a sua opinião sobre a comunidade portuguesa no Brasil?

A minha opinião acerca da comunidade portuguesa no Brasil é, naturalmente, a melhor. A todos os níveis da sociedade brasileira se sente a boa integração e o respeito de que os lusodescendentes beneficiam. Atrevo-me a pensar que o facto de ter sido eleito há de significar que as pessoas confiam em mim, nas minhas ideias e nas minhas propostas.

 

Consulados como os do Rio de Janeiro e de São Paulo passam por grandes dificuldades em termos de atendimento da procura existente. Está previsto algum projeto específico nesses locais? Haverá contratação de novos funcionários e reforço dos serviços?

Não tenho essa visão negra. Pelo contrário, o que vejo ano após ano é esses dois consulados atenderem mais pessoas e praticarem mais atos. Sinal que vão realizando melhor o seu trabalho.

 

Ainda em relação ao Rio e a São Paulo, utentes sinalizam que vistos estão a levar muito tempo para serem emitidos para estudantes, residentes e etc. Existem conversações com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) que permitam agilizar esse cenário?

Já há dois anos e no ano passado foram tomadas medidas pelo governo português para facilitar esses processos.

 

Como avalia o trabalho das dezenas de associações portuguesas no Brasil? Algumas delas enfrentam dificuldades. O seu novo mandato irá olhar com atenção para essas atividades como forma de internacionalizar o nome de Portugal?

Avalio muito bem e, como referi acima, o apoio ao associativismo é uma das prioridades da política das comunidades.

 

Existem esforços no sentido de se manterem ações integradas entre o MNE, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP)?

O mais relevante processo em que a CPLP está hoje empenhada é a criação de um regime de mobilidade e circulação.

 

 

 

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