Economia

Uma recessão global a longo prazo desenha-se no horizonte mas isso (ainda) não preocupa as empresas

(C) Boyden - Fernando Neves de Almeida

Num inquérito recente realizado a líderes de negócios norte-americanos, no qual a Boyden- empresa líder em consultoria de liderança- participou, não se contempla a possibilidade de uma recessão económica num futuro próximo, isto apesar de serem vários os fatores de riscos que apontam para essa eventualidade.

A grande maioria das indústrias e setores  a operar nos EUA não antecipa uma crise no futuro próximo,  apesar de haver incertezas quanto à evolução da economia e sinais de abrandamento à escala global.

Segundo o inquérito, realizado em novembro deste ano, apenas 4% dos negócios espera uma recessão nos próximos três meses, enquanto 14% dos entrevistados antecipa esse cenário para os próximos três a seis meses. Sendo que quase um terço (31%) dos líderes prevê um abrandamento generalizado apenas daqui a seis meses ou um ano e 41% dos inquiridos refere que isso só será provável daqui a dois anos.

Fernando Neves de Almeida, Sócio-gerente da Boyden Portugal refere que “salvaguardando as devidas diferenças,entre as economias norte-americana, e por acrescento a portuguesa, podemos dizer que há sinais de um abrandamento generalizado da economia”. No entanto, Fernando Neves salienta ainda que “abrandamento é diferente de recessão. Para já, o mercado de trabalho está forte, por isso, o mais importante é não deixar os receios originarem uma recessão”.

Os sinais dados até agora apontam para um razoável otimismo, visto que a procura e o consumo se mantêm elevados, há entrada de capital no mercado, os lucros empresariais mantém-se positivos e muitos dos principais setores estão próximos do pleno emprego. Isto revela que uma recessão a curto prazo apresenta-se como um cenário improvável. Contudo, numa perspetiva a longo prazo há sinais que apontam para alguma incerteza económica.

A nível mundial verifica-se um aumento do protecionismo, que poderá ser uma consequência do crescente conflito comercial entre os EUA, China e UE, seguido de dificuldades crescentes no financiamento e uma diminuição generalizado do crescimento a nível global.

Robert Travis, Sócio Gerente da Boyden nos EUA e Canadá, aponta para o risco de conflitos comerciais, admitindo que, “as tenções comerciais globais estão a criar níveis elevados de insegurança que estão a ter impacto no investimento empresarial”. O também diretor de administração refere ainda que esta guerra comercial entre as principais potências económicas, já provocou “uma escalada das tarifas e muitos clientes foram forçados a implementar mudanças custosas nas cadeias de fornecimento”.

Atendendo a esta moldura macro-económica a Boyden– empresa líder de Executive Search em Portugal, em expansão (abertura este ano de escritório no Porto) e diversificação (desenvolvimento da área de Leadership Consulting com a nomeação de um novo partner) – alerta os líderes de empresas, setores e indústrias para a necessidade de desenvolver uma estratégia resiliente para fazer face aos tempos de maior incerteza”.

O Diretor Geral da Boyden Portugal põe ainda em foco a questão sistémica da produtividade, que continua a ser um entrave ao crescimento do país. “Para mudar a produtividade é preciso aumentar salários, gerir melhor os recursos humanos na administração pública e flexibilizar a legislação laboral”.

Para a Boyden Portugal o maior desafio dos líderes será um maior entendimento da cultura organizacional dos clientes e a capacidade de resposta a cada vez maior velocidade. Tendo em consideração os sinais turbulentos que se adivinham, as organizações terão de ter a capacidade de atrair ativos valiosos nos mais diversos campo de atuação, desde a indústria à cultura.

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