Afirmar Portugal e atrair investimentos estrangeiros motivaram discussões durante Encontro de Investidores da Diáspora em Penafiel

A atração de investimento da diáspora para Portugal, o investimento direto estrangeiro, o ensino do português como língua de herança em outros países, mas também como língua estrangeira, a necessidade de identificar e caracterizar bem o tecido empresarial da diáspora e a ampliação da capacidade global de afirmação de Portugal em vários domínios foram alguns dos temas abordados durante o terceiro Encontro de Investidores da Diáspora entre os dias 14 e 15 de dezembro último, em Penafiel, no seio da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa.
Uma das preocupações do evento foi desmistificar a questão fiscal que envolve o processo de instalação de empresas em Portugal. Presentes no evento, os Secretários de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, e dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, abordaram as políticas de exportação de bens, serviços e de promoção externa por parte do estado e as alterações no sistema fiscal, “que visam torná-lo mais amigo do investimento”. Foram também discutidas as medidas contidas no Orçamento de Estado 2019 para estimular o regresso de cidadãos emigrantes, com especial atenção para os que vivem na Venezuela.
Outro momento do encontro foi destinado à apresentação de projetos empresariais em áreas como o agroalimentar, a construção inovadora, a aeronáutica, o mobiliário, a fileira da pedra, as novas tecnologias e a produção de cinema, dando a conhecer iniciativas com origem na diáspora e que se materializaram em Portugal, mas também empresas baseadas em solo lusitano e que visam internacionalizar-se com base na diáspora.
O certame viu também serem tratados temas como a oferta de ensino superior e a vertente de formação profissional e oportunidades de emprego para a diáspora, tendo em vista as necessidades do mercado de trabalho em Portugal, local onde, segundo responsáveis governamentais, “há escassez de mão de obra em alguns setores”.
Diplomacia
Outro assunto que motivou discussões foi o trabalho da rede diplomática e consular de Portugal no estrangeiro, cujo objetivo deve ser “a valorização, promoção e apoio aos portugueses no mundo, incluindo a área empresarial”.
Foi sugerida ainda a constituição de conselhos de empresários da Diáspora junto das Embaixadas e Consulados, assim como um trabalho maior de articulação prévia, com as missões diplomáticas e consulares, de ações promocionais das regiões e Comunidades Intermunicipais portuguesas nos países com grandes comunidades portuguesas.
Durante o Encontro, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, afirmou a importância da centralidade das Comunidades Portuguesas na política externa de Portugal e reforçou que os portugueses no mundo são um “importante fator de integração global de Portugal e prestigiam o País em todas as sociedades de acolhimento”, além de referir que, nesse contexto, “deve existir um trabalho em rede, entre governo, rede diplomática e consular, autarquias e outras entidades, para que o País possa manter uma relação viva e próxima com a diáspora”.
Por seu turno, o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, realçou que um dos intuitos desse encontro foi “facilitar o estabelecimento de redes de contacto entre os empresários portugueses no estrangeiro e aqueles que exercem a sua atividade em Portugal, proporcionando-lhes o espaço para possíveis oportunidades de negócios ou de parcerias e oferecendo-lhes uma plataforma privilegiada para o diálogo, o debate, a partilha de experiências e de boas práticas, e o esclarecimento de dúvidas em tempo real, além de procurar contribuir para fortalecer um sentimento identitário comum entre os empresários portugueses pelo mundo, independentemente dos países onde estão estabelecidos e das realidades e contextos específicos em que se inserem”.
Grande número de participantes
O Encontro foi promovido pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, através do Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora (GAID), em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa e com o apoio da Câmara Municipal de Penafiel.
Essa iniciativa reuniu mais de 700 participantes, incluindo membros do Governo, membros da rede diplomática portuguesa, Deputados à Assembleia da República, autarcas, responsáveis de entidades públicas, e representantes de empresas e de câmaras de comércio, bem como empresários portugueses e lusodescendentes provenientes quer da diáspora portuguesa, designadamente de 35 países dos 5 continentes, quer do território nacional, em particular da região do Tâmega e Sousa.
Este foi o terceiro Encontro de Investidores da Diáspora. Outros dois ocorreram em Sintra, em 2016, e Viana do Castelo, em 2017. Segundo fontes, o próximo evento deverá ocorrer na região do Algarve, ainda este ano.





