Angola: Boavida Neto queixa-se dos “camaradas do MPLA”

O antigo secretário-geral do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Álvaro de Boavida Neto, queixou-se em entrevista pela forma como foi tratado pelos colegas do partido no poder.

Boavida Neto disse considerar a política como uma hipocrisia, cinismo e estupidez, além de ter partilhado alguma tristeza em relação aos “camaradas” após a saída do cargo de secretário-geral.

“Bem, se eu disser que não estarei a mentir, mas prontos, é algo que aconteceu há um ano. Não gostei da forma como fui tratado pelos meus camaradas. Não é porque o PR [Presidente da República] estava errado, não, ele estava certo, porque depois acabei percebendo que eu é que era o mal”, partilhou.

O político declarou ainda que não foi avisado sobre o facto de ter de abandonar a função que ocupava dentro do MPLA. “Não fui avisado, eu fui o coordenador do congresso, que foi um sucesso, tínhamos trabalhado todo dia, para depois às 19H45 surpreendido com a notícia. Eu tenho família e filhos, não foi a forma mais correta”, disse, querendo que tivessem sido “mais profissionais”.

Relação com João Lourenço

Quanto à relação que mantém com o atual líder da formação política e também chefe de Estado, João Lourenço, disse que a mesma é boa. “Converso com PR João Lourenço. Diz que tem um erro de formatação, é frontal e fala o que pensa”, elogiou.

Ao ser questionado sobre o que pensa acerca do processo do combate a corrupção que está ser levado a cabo por João Lourenço, respondeu que “o combate à corrupção não é uma decisão do PR João Lourenço, não. Foi uma decisão do MPLA. Por outro lado, não houve uma boa transição entre o Presidente José Eduardo dos Santos e João Lourenço, alguns detalhes não tiveram o seu fim, conforme planificado”.

Para o político, a luta contra a corrupção não está a ser seletiva. “Não acho isso. O que acontece é que há pessoas que se sentiam intocáveis. Por exemplo, uma das minhas administradoras foi condenada a 12 anos infelizmente, mas é assim que funciona o sistema de justiça. Por tanto não acredito em perseguições neste processo”, observou.

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