Angola considera que Guiné-Bissau não pode ficar “refém de caprichos pessoais” do Presidente

O ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, afirmou esta quarta-feira, 26 de junho, em Lisboa, que a Guiné-Bissau “não pode ficar refém de caprichos pessoais” do Presidente José Mário Vaz, uma vez que o mesmo continua sem nomear o Governo três meses após as eleições.

“Não pode aquele povo da Guiné-Bissau ficar refém de caprichos pessoais. A comunidade internacional está atenta e vai aumentar a pressão”, assegurou aos jornalistas, à margem do encontro anual do Conselho Europeu para as Relações Exteriores, que decorreu durante dois dias na capital portuguesa.

Recorde-se que foi a 10 de março que se realizaram as eleições legislativas na Guiné-Bissau. No entanto, o novo primeiro-ministro só foi nomeado no passado sábado, 22 de junho, após a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) ter admitido impor sanções a quem criasse obstáculos à concretização da ordem democrática e ter imposto que a situação ficasse resolvida até domingo passado.

O Chefe de Estado guineense, que completou os cinco anos de mandato no domingo e que marcou as eleições presidenciais para 24 de novembro, continua sem nomear o Governo, não tendo aprovado a lista de nomes proposta pelo primeiro-ministro Aristides Gomes.

Manuel Augusto lamentou igualmente a falta de uma posição firme da CEDEAO em relação à crise na Guiné-Bissau. “Infelizmente, sentimos que a comunidade económica regional, a CEDEAO, está dividida e esta é uma das razões pelas quais alguns atores políticos na Guiné-Bissau tentam tirar proveito”, partilhou.

O chefe da diplomacia angolana garantiu que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) está a agir, tendo revelado irá ser tomada “uma posição mais forte” a partir da reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da comunidade, marcada para 19 de julho, em Cabo Verde. “Estamos otimistas que aqueles que estão a tentar impedir o processo [democrático] na Guiné-Bissau vão acabar por desistir e dar conta que não há clima para continuarem a manter um país e um povo refém de uma pessoa”, concluiu.

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