Angola: Crescente insatisfação popular mobilizou a sociedade civil como nunca visto, até há pouco.

A manifestação de Sábado (24 de outubro), convocada por ativistas e que contou como o apoio da UNITA, não foi autorizada pelas autoridades, tendo sido reprimida, como habitualmente, com violência por parte das autoridades policiais. As autoridades relembram, ainda, que foi violado o decreto presidencial de sexta-feira, relativo às novas regras definidas para evitar a propagação da pandemia em Luanda.

Sabe-se que a PNA – Polícia Nacional de Angola – deteve 103 manifestantes, entre os quais profissionais da comunicação social (entre eles um repórter da AFP), ativistas bem conhecidos da sociedade civil, havendo ainda registo da presença de militantes e de um deputado da UNITA, Nelito Ekuikui, agredido pela Polícia Nacional de Angola. A PNA nega ter ocorrido qualquer morte de manifestantes, mas enfatiza que seis polícias ficaram feridos.

A polícia respalda-se na proibição da manifestação e da necessidade de repor a ordem pública, alterada pelos distúrbios e arremesso de pedras contra si, além dos vários atos de vandalismo registados. A Governadora de Luanda, Joana Lina, reforça esta ideia, condenando a realização da manifestação, classificando-a de “atos de vandalismo e desacato às autoridades”.

A manifestação tinha como propósito reivindicar políticas de emprego, condições de vida e a realização das eleições autárquicas, um tema caro à Oposição.

Na verdade, o que se tem vindo a assistir gradualmente é ao despertar da consciência da sociedade civil e a perda do medo da repressão do regime, detido e personalizado pelo MPLA. Acresce, a junção do ativismo com a política, no caso a UNITA, que nunca se tinham “misturado” como o fizeram neste Sábado, procurando galgar uma oportunidade, para a qual poderão vir a sofrer duras consequências, sobretudo a UNITA.

A tão temida instabilidade social provocada, entre outros aspetos pelas dificuldades económicas do país, fruto também das más opções económicas produtivas, começa a ganhar peso numa sociedade angolana que começa a ter pouco a perder e, em que o grito de desespero e a necessidade de inverter, ou encontrar um novo rumo, vai ganhando, a cada dia que passa, mais simpatizantes e força, deixando o regime inquieto com um futuro que lhe pode vir a ser adverso, quando se prepara para as próximas eleições, em 2022, que poderão incluir as prometidas eleições autárquicas que eram suposto tere sido realizadas este ano de 2020.

 

Vicente Silva

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