Angola

Angola: Criados novos movimentos políticos para enfrentarem MPLA

MPLA

Estão a surgir em Angola novos movimentos políticos de oposição ao MPLA, partido no poder, inclusive partidos políticos e uma organização da sociedade civil. Tal acontece pouco antes das eleições gerais, marcadas para 2022, e enquanto não é definida uma data para as primeiras eleições autárquicas no país.

Um dos novos projetos é a plataforma União dos Povos de Angola (UPA), que visa elevar a “luta dos ativistas cívicos” angolanos que, desde março de 2011, promovem manifestações contra o Governo do MPLA. Recorde-se que esta formação política dirige o país há 45 anos. 

A explicação foi dada pelo ativista Pedrowski Teka, do Movimento Revolucionário de Angola, que explicou que o projeto referido foi inspirado na antiga UPA, fundada pelo nacionalista Holden Roberto.

“Em Angola não existe uma organização não-governamental [ONG] de massas. Vamos trazer uma ONG de massas que vai fazer pressão política, económica, social e cultural. Apesar das críticas de que os ativistas e as ONG não têm como o objetivo o poder, nós, declaradamente, assumimos que temos como objetivo o poder”, explicou.

“O poder está estratificado em duas formas: temos o poder central e o poder local. Os nossos ativistas e membros irão concorrer às eleições autárquicas. Vai ser o cumprimento do nosso primeiro objetivo. O segundo objetivo vai ser o poder central”, disse ainda.

NJANGO, ARDA e PHA

O Estado angolano não legaliza partidos políticos desde 2017, tendo um dos últimos rejeitados sido o PRA-JA Servir Angola, liderado por Abel Chivukuvuku e chumbado diversas vezes pelo Tribunal Constitucional, que não reconheceu as assinaturas.

No final de 2020, o tribunal angolano credenciou várias comissões instaladoras, entre as quais do Partido Humanista de Angola (PHA), de Florbela Malaquias, e o partido Nacionalista para Justiça em Angola (NJANGO) de Dinho Chingunji, ambos ex-membros da UNITA, maior partido da oposição

O NJANGO está aceitar militância de cidadãos que se identificam com a sua ideologia, disse Chingunji. “Para sairmos da tradição dos movimentos, onde muita gente seguiu família, amigos que entraram na luta, tribos e regiões. Situações que estragam o funcionamento dos partidos e trazem confusão”, esclareceu.

O ex-membro da UNITA acredita que o seu partido será legalizado ainda neste ano, uma vez que trabalhou pela constituição do projeto durante dois anos para não cometer erros. O objetivo é conquistar, em 2022, votos dos cidadãos que não votaram nas últimas eleições.

Ainda não está concluído o processo de legalização do partido Ação para o Reforço de Democracia em Angola (ARDA). No entanto, Teka Ntu garante que esta nova formação política da oposição será o fator estabilizador do processo de democratização de Angola e aposta igualmente em 2022 para a mudança.

“A população angolana precisa de melhores perspetivas para o futuro e as hipóteses para assim são favoráveis. A ideia é que devemos criar um Plano Marshall para Angola que poderá estabelecer a nossa relação económica em níveis de igualdade“, concluiu.

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