Angola: Dirigentes da UNITA acusam PR de tentar dividir o partido

Ex-dirigentes e atuais dirigentes da UNITA manifestaram o desagrado que sentiram em relação ao facto de o Presidente da República de Angola e líder do MPLA, João Lourenço, ter dito ao presidente da UNITA, Isaías Samakuva, que esperava que este tivesse “vindo para ficar”

A polémica afirmação foi feita na segunda-feira, 25 de outubro, na ocasião da tomada de posse de Samakuva nas funções de membro do Conselho da República, em substituição a Adalberto Costa Júnior. Recorde-se que o ex-presidente da UNITA foi afastado do cargo após o Tribunal Constitucional ter anulado o congresso em que foi eleito, em 2019. 

Para o general na reforma e deputado Paulo Lucamba Gato, que liderou a UNITA em fase de transição após a morte em combate de Jonas Savimbi, de 2002 até 2003, João Lourenço “não esteve bem no seu discurso”, segundo o “Correio da Kianda”. Gato considera que o Presidente da República “devia ter lido um curto discurso” para evitar deixar escapar a expressão do seu sentimento pelo atual líder da UNITA. 

O deputado do maior partido da oposição no país quer acreditar que o sucedido tenha sido apenas um “lapso linguístico”. Caso contrário, concluiria que o chefe de Estado quer interferir nos assuntos internos de uma organização política autónoma e soberana. 

Também o secretário provincial da UNITA em Luanda foi um dos descontentes que se pronunciaram em relação ao sucedido. Nelito Ekuikui defendeu que o Presidente não deve ter preferência nos seus adversários e que os militantes da UNITA rejeitam esta agenda do também líder do MPLA, pois veem nela “uma tentativa de dividir o nosso partido e confundir a opinião pública”

Samakuva diz que não vai concorrer à liderança da UNITA 

Entretanto, Samakuva garantiu à “Voa” que não vai concorrer à liderança da UNITA, apesar de reconhecer a pressão que tem sofrido de todos os lados. Segundo o próprio, está fora de questão ser candidato no XIII Congresso do partido, cuja data ainda não definiu. 

Apesar de ter esclarecido que não há qualquer impedimento estatutário para que seja candidato, já tinha decidido desde 2016 que não iria mais concorrer à liderança da formação política. 

“Me deixem em paz”, pediu aos militantes da UNITA e aos cidadãos angolanos que admitem uma possível candidatura sua à liderança do partido. “Não vou concorrer não. Do ponto de vista estatutário não há nada que me proíbe de concorrer, agora, a minha vontade que eu venho exprimindo desde 2016, é que eu mesmo já saí da presidência do meu partido”, frisou. 

Recorde-se que o político liderou a UNITA desde a morte do fundador do partido, Jonas Savimbi, de 2002 até 2019. Nesse último ano abandonou a liderança no congresso que elegeu Costa Júnior presidente da organização política, mas, uma vez que o evento foi anulado pelo Tribunal Constitucional, teve de voltar à presidência até que seja realizado um novo congresso e assim eleito o presidente.

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