Angola: “Estas serão as eleições mais disputadas e mais conturbadas” – Emerson Sousa

O ativista e secretário para a formação de quadros da UNITA em Portugal, Emerson Sousa, encontra-se em Angola e avaliou a situação de como está o país em vésperas de eleições.

Segundo o secretário, a rotatividade política cria desenvolvimento, e é necessário procurar novos saberes e olhar para outras pessoas, até porque “Angola é feita de 30 milhões de habitantes, mais de 9 grupos étnicos e deve-se procurar entender que cada grupo étnico, cada povo, tem uma forma de estar, ser, fazer acontecer, e cada um tem uma técnica própria para contribuição do país”.

“Essa postura arrogante e exclusivista do nosso poder político vigente, não traduz grandes resultados. Por exemplo, a UNITA tem quadros diplomáticos muitos bons e reconhecidos, o Bloco Democrático tem quadros académicos que podem de certa forma contribuir com propostas para a educação e ensino superior e também para a economia. Temos nomes como o professor Alves da Rocha e o Professor Macedo que podem de certa forma contribuir para a resolução dos nossos problemas de finanças públicas, taxa de câmbio e os demais problemas económicos”, afirmou Emerson Sousa à E-Global.

“Essa postura arrogante e exclusivista do nosso poder político vigente, não traduz grandes resultados.”

O ativista frisou que o que tem faltado até agora é uma certa visão, vontade de fazer acontecer e de incluir as pessoas. “É muito estranho o Presidente da República, João Lourenço, ter sido designado, “Campeão para a Reconciliação e Paz em África”, devido ao seu engajamento para a pacificação no continente, sobretudo no âmbito da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRG) e outras zonas quando ataca a honra e a imagem do seu rival político.”

O clima dos angolanos é de muitas expectativas pois, segundo Emerson de Sousa, Angola espera mudança, e os últimos anos de mandato do partido MPLA foram desastrosos para a vida das pessoas, “o nível de pobreza aumentou o número de pessoas desalojadas e a comerem na rua, a prostituição e o nível de delinquência para terem pelo menos um tomate no prato”. As pessoas estão frustradas e os problemas emocionais aumentaram imenso, o que pauta muito a vontade social e pública por uma mudança de governabilidade.

O Secretário afirma que o desfecho das eleições são imprevisíveis, o combate será nas ruas para os cidadãos exigirem o seu voto, e de certa forma um trabalho para os partidos na oposição conduzirem as pessoas na direcção certa. “Adalberto Costa é um refresh, comunica bem e não está conotado com a guerra, conseguiu constituir uma força fora da UNITA e são essas as vantagens que acabam por o colocar como a esperança do povo “ .

Pelas ruas da cidade de Luanda é muito notável o ceticismo das pessoas em volta das eleições, pelas experiências passadas, afirma o activista. A oposição tem feito uma mobilização para que se vote. O líder da UNITA quer observadores internacionais nas eleições em Angola. Mas Adalberto Costa Júnior avisou que não podem ser apenas países com simpatia pelo MPLA.

“Adalberto Costa é um refresh, comunica bem e não está conotado com a guerra.”

Emerson relembra que no âmbito da participação de Adalberto Júnior no congresso do Partido Popular Europeu(PPE), este teve a oportunidade de se encontrar com as mais altas figuras institucionais da Europa, como Ursula von der Leyen (Presidente da Comissão Europeia), Comissários dos Estados-membros da União Europeia e alguns Primeiros-ministros como Naftali Bennett, primeiro ministro de Israel, Viktor Orbán, primeiro ministro da Hungria e outros representantes.

“Com todos partilhou a necessidade de Angola abraçar eleições transparentes e democráticas, a necessidade do respeito pelas leis, hoje violadas com a não publicação das listas provisórias dos cidadãos registados, a censura extrema na comunicação social pública e a necessidade da fiscalização internacional das eleições. A necessidade da fiscalização dos actos da Indra pelas instituições europeias”

Para Emerson Sousa estas serão as eleições mais disputadas e mais conturbadas, por vários motivos, desde 1992.

Luzineide Pacheco – Correspondente

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