Angola: João Lourenço e Rafael Marques analisam direitos humanos e combate à corrupção

Após o jornalista e ativista Rafael Marques ter partilhado um texto na Internet esta terça-feira, 04 de dezembro, para contar que acabou por não ser recebido pelo Presidente da República angolano devido ao facto de o seu nome não constar na lista dos convidados que iriam ter um encontro com João Lourenço nesse dia, o diretor de gabinete do governante transmitiu que “lamenta o incidente” e acabou por ser marcada uma reunião com o visado para esta quarta-feira, 05.

No final da audiência de uma hora com o Chefe de Estado, em Luanda, Rafael Marques disse aos jornalistas que “o encontro correu muito bem” e que João Lourenço foi “muito simpático e aberto”. “Falámos sobre direitos humanos, corrupção e moralização da sociedade [Operação Resgate]”, adiantou o jornalista, que disse ter sido encorajado a continuar o trabalho que tem feito. Na conversa foi também abordada a questão das zungueiras e a forma como as autoridades provinciais estão a lidar com a questão, sendo necessário “resolver o problema” das mesmas.

No que respeita à corrupção, o ativista afirmou que “é importante o contributo da sociedade no sentido da moralização, não só das instituições públicas, mas também dos próprios cidadãos de modo a que encontremos soluções para que a corrupção deixe este cancro que corrói a nossa sociedade e que delapida os nossos recursos que deviam ser investidos na educação e na saúde”.

O Presidente da República defendeu no encontro que os casos de corrupção devem ser enviados à Procuradoria-Geral da República (PGR), algo corroborado por Marques, que lembrou ter sido essa a sua prática. “Espero que com este incentivo possamos com as nossas investigações enviar mais casos à Procuradoria”, acrescentou, referindo que este combate não é apenas da responsabilidade do Presidente, jornalistas e investigadores.

Para Marques, todos devem participar “na construção de uma nova sociedade” com regras, de forma moralizadora e com integridade. O jornalista espera que o Executivo faça esforços no sentido de criar uma economia que promova empregos para que “as pessoas possam sustentar as suas famílias de forma condigna”. Ainda assim, elogiou a “grande” mudança entre o atual e o anterior Executivo, tendo notado várias melhorias na atuação do mesmo, apesar de reconhecer que a situação económica do país requer cuidados.

Em relação a ter sido impedido de entrar no Palácio Presidencial esta terça-feira, 04, mencionou que “o assunto está ultrapassado” e que foi apenas um “mal-entendido”. Recorde-se que Rafael Marques chegou a estar prescrito durante anos no país, acusado de “traição à pátria”.

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