Angola: Militares reformados ameaçam PR com manifestação

Vários militares na reforma estão a ameaçar sair às ruas se o Presidente da República, João Lourenço, não responder às suas reivindicações. Sem dinheiro, os visados deram ao governante o prazo de resposta até ao final deste mês de outubro. 

A situação de revolta deve-se ao discurso sobre o Estado da Nação do chefe de Estado na Assembleia Nacionalque decorreu nesta quinta-feira, 15 de outubro. Tal não teve os aplausos de vários generais e oficiais na reforma e viúvas de militares, que apelaram então a João Lourenço para que resolva um problema antigo. Trata-se do pagamento das suas pensões e salários desde 2009, reiteraram. 

Caso não haja uma resposta da parte do governante até ao final deste mês, os visados ameaçaram sair às ruas em protesto. 

“O Presidente já se reuniu com kuduristas, com camponeses, etc., mas com militares está difícil e ele é nosso colega, conhece-nos bem, lutámos juntos. Então que consciência é esta do Presidente, onde quer ele chegar com isso?”, questionou um oficial superior na reserva, que se identificou apenas por Farrusco. 

Para o militar José Nelson, “a opinião pública nacional e internacional (deve saber que) nós estamos a ser maltratados e humilhados, cortaram direitos adquiridos, não temos direito a comida, transporte, assistência médica, estamos a ser escravizados, dominados, nós enfrentamos guerras, mas hoje somos lixo, enquanto alguns governantes têm várias casas no exterior, nos EUA, França, Bélgica, são milionários, roubaram milhões e milhões e não nos pagam o nosso dinheiro, porquê?”. 

Também a viúva de um militar expôs a sua situação, tendo contado que ficou “com quatro filhos, sozinha, sem qualquer ajuda. Como tal, defendeu que a nossa voz também deve chegar ao Presidente da República”. 

A mesma fonte disse ainda que recebia quatro mil kwanzas (cinco euros), mas que teve o subsídio cortado e que agora está a “ficar cega sem qualquer ajuda”.

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