Angola: Ministro das Finanças quer abandonar o cargo

O ministro das Finanças de Angola, Archer Mangueira, quer deixar a função que ocupa, tendo alegado razões pessoais relacionadas com a sua estabilidade familiar. Segundo o “Expansão”, há já pelo menos dois meses que o próprio terá comunicado que estaria na disposição de abandonar o cargo.

O assunto volta a ser notícia após o recente Congresso Extraordinário do MPLA, altura em que começaram a iniciar-se as alterações na governação do país, o que vai abranger igualmente a equipa económica e a troca do titular do Ministério das Finanças.

A saída do ministro ainda não se concretizou devido à existência de dossiers importantes para Angola que estão a ser negociados com várias entidades, nacionais e internacionais, e que só agora começam a fechar-se.

No entanto, esta saída nunca seria feita de forma isolada, mas sim dentro de um conjunto de alterações na equipa económica e produtiva, que pode estender-se a outros ministérios, entre eles os da Economia, Indústria, Telecomunicações e Tecnologias de Informação, bem como empresas públicas com posição de destaque nos respetivos setores.

Inicialmente previstas para setembro, as mudanças podem ocorrer nas próximas semanas, havendo já contactos com possíveis candidatos aos lugares disponíveis.

Recorde-se que Archer Mangueira tomou posse a 5 de setembro de 2016, duas semanas depois do VII Congresso Ordinário do MPLA, onde João Lourenço foi eleito como vice-presidente do partido no poder. Na altura, apesar de o Governo ser ainda chefiado por Eduardo dos Santos, o ministro era visto como um rosto de mudança.

Quando João Lourenço chegou ao poder, cerca de um ano depois, manteve-o no cargo, mas o facto de Mangueira estar a exercer o poder numa altura em que se fizeram diversas transações financeiras de carácter duvidoso criaram à sua volta um ambiente de desconfiança.

Quando surgiram os processos da Procuradoria Geral da República, passou a ser do conhecimento público alguns factos passados durante o último ano do Governo do ex-presidente José Eduardo dos Santos, no qual o nome do ministro das Finanças surge associado, uma vez que, pelas funções que desempenhava, tinha que ter conhecimento dos mesmos. A situação criou uma pressão suplementar na avaliação dos seus actos, com muitos dos operadores económicos a pedirem já há alguns meses a sua substituição.

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