Angola

Angola: Oposição acusa polícia de disparar “indiscriminadamente” em Cafunfo

Deputados de três partidos da oposição em Angola, entre os quais a UNITA e o PRS, além da coligação CASA-CE, partilharam nesta terça-feira, 09 de fevereiro, que os incidentes de Cafunfo resultaram em 23 mortos, 21 feridos e dez desaparecidos.

Ainda segundo as mesmas fontes, as forças policiais dispararam “indiscriminadamente contra os cidadãos”.

“Dos nossos dados temos contabilizados 23 mortos, 11 feridos evacuados para o Dundo, 10 feridos que estão a ser assistidos em Cafunfo, inclusive uma criança, e 10 pessoas estão desaparecidas até ao momento”, disse o líder do PRS, Benedito Daniel.

Também de acordo com o dirigente, “não houve qualquer tentativa de se assaltar uma esquadra” em Cafunfo, província da Lunda Norte. Isto porque a polícia declarou que cerca de 300 pessoas ligadas ao Movimento do Protetorado Português Lunda Tchokwe, que defende há anos a autonomia desta região rica em recursos minerais, tentaram invadir, a 30 de janeiro, uma esquadra policial e que, em defesa, as forças de ordem e segurança atingiram mortalmente seis pessoas.

A versão policial é contrariada pelos dirigentes do  Movimento do Protetorado Português Lunda Tchokwe, partidos políticos na oposição e sociedade civil local, que falam em cerca de 20 mortos.

Por sua vez, o presidente do grupo parlamentar da CASA-CE, Sebastião André, lamentou as mortes dos cidadãos e exigiu responsabilização. Para o político, trata-se de “um drama” que mancha o Estado democrático e de direito e a Constituição, que proíbe a pena de morte.

O líder do grupo parlamentar da UNITA, Liberty Chiyaka, lembrou que o país é uno e indivisível. No entanto, realçou, a “maioria dos angolanos vive na indigência” e “quem se propõe a governar assume o compromisso de servir o cidadão”.

Líder do Protetorado Lunda Tchokwe detido em Luanda

O dirigente do Protetorado Português Lunda Tchokwe, Zeca Mutchima, foi detido pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC). A detenção ocorreu nesta terça-feira, 09 de fevereiro, em Luanda.

A informação foi avançada pelo advogado de defesa, Salvador Freire dos Santos, através das redes sociais. Também segundo a mesma fonte, o mandado de detenção foi emitido pelo magistrado do Ministério Público junto do SIC na província da Lunda Norte.

Mutchima é indiciado por suspeitas de envolvimento nos crimes de práticas de rebelião e de associação de malfeitores. A detenção resulta assim dos incidentes ocorridos em Cafunfo.

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