Angola: Oposição apoia João Lourenço no encorajamento do combate à corrupção mas tece outras críticas

Foram vários os líderes de partidos políticos angolanos, da sociedade civil e religiosos, que estiveram presentes na Assembleia Nacional esta segunda-feira, 15 de outubro, para ouvirem o discurso do Presidente da República sobre o Estado da Nação. João Lourenço aproveitou o momento para encorajar o combate à corrupção.

Após o Chefe de Estado ter dito que teria que haver um “combate sem tréguas” às ilegalidades praticada em Angola para se acabar com o “sentimento de total impunidade” e que ninguém seria “privilegiado” perante a lei, a oposição veio manifestar publicamente o seu apoio ao dirigente do país no que respeita ao encorajamento do combate à corrupção, informou o “Jornal de Angola”.

O presidente do grupo parlamentar da UNITA, Adalberto Costa Júnior, foi um dos políticos que apoiou as palavras de João Lourenço e elogiou o discurso do Presidente, que serviu para dar resposta às grandes inquietações vividas em Angola. “Este ano, partilhou o diagnóstico feito sobre a realidade do país”, afirmou, uma vez que em 2017 o discurso foi realizado com base em promessas.

No entanto, apesar dos elogios feitos, questionou se “é possível combater a corrupção mantendo os maiores ladrões impunes” e afirmou que esta luta deveria ser cumprida com o empenho de todos. “Por que razão os maiores desviadores do erário público não têm processos?”, perguntou.

Adalberto Costa Júnior acrescentou ainda que seria importante que o presidente falasse também das reformas do Estado e respondesse se estaria ou não disponível para a revisão da Constituição: “Será que o Presidente da República está disponível para uma revisão constitucional? Está aberto a abrir mão dos poderes excessivos que o Presidente anterior se auto-impôs e que ele herdou? Será que está disponível para devolver aos cidadãos direitos e fazer eleições diretas do Presidente da República?”.

Já o presidente da CASA-CE, Abel Chivukuvuku, qualificou o discurso do Chefe de Estado de “menos inovador”, uma vez que este não trouxe nada de novo, segundo a sua opinião. Ainda assim, o político reconheceu que João Lourenço tem uma difícil batalha frente, uma vez que encontrou o país “numa condição muito difícil”, e sublinhou que é necessário encorajar o Chefe de Estado a continuar com o combate à corrupção.

O presidente do PRS, Benedito Daniel, também referiu que não é fácil a luta do Presidente da República, mas mostrou-se contra a retroactividade na sanção de crimes que já prescreveram. “A PGR não pode estar à caça dos crimes que já prescreveram”, disse o político, numa clara alusão à ação da Procuradoria-Geral da República com vista ao combate à corrupção e à impunidade.

Na opinião do presidente da FNLA, Lucas Ngonda, o discurso do Chefe de Estado superou as expetativas da Nação ao ter referido todos os aspetos da vida socioeconómica do país e lançado as orientações fundamentais para a saída da crise profunda em que o país se encontra.

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