Angola: PR criticado por relativizar fome no país

O reeleito líder do MPLA e atual Presidente da República de Angola, João Lourenço, afirmou no seu discurso de encerramento do VIII Congresso Ordinário do partido no poder que a fome no país é um “fenómeno relativo”

“Talvez por conveniência própria, talvez por conveniência política convenha, repetir incessantemente a palavra ‘fome’, mas eu diria que o grande problema de Angola, se quisermos ser mais precisos, é o pouco poder de compra dos nossos cidadãos, resultante dos altos índices de desemprego”, disse. 

O facto de ter relativizado o problema da fome trouxe várias críticas ao governante, vindas de jornalistas, analistas e outras entidades, como a Igreja Católica. De acordo com o “Angola 24 Horas”, a Comissão de Justiça e Paz da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) considera que João Lourenço revelou “grande insensibilidade” ao “relativizar” a fome, além de “desrespeito” para com as vítimas da situação em questão. 

Para o secretário da Comissão de Justiça e Paz da CEAST, o chefe de Estado “foi infeliz ao afirmar no seu discurso que a fome é relativa”. Celestino Epalanga lembrou que João Lourenço já tinha dito num órgão português que “não existia fome” em Angola. 

“Poucos dias depois conseguimos mostrar ao Presidente que havia sim fome em Angola, vimos a quantidade de gado bovino, algumas vítimas de fome, e fez-se aquela megacampanha e o Presidente teve que se deslocar para ver a situação ‘in loco’. Se não existia fome em Angola naquela altura porque é que se mobilizou fundos, meios para acudir aquelas populações?”, questionou. 

Recorde-se que a fome, também uma das consequências da grave seca no Sul do território angolano, atinge milhares de cidadãos. Muitos deles continuam a emigrar para os países vizinhos e outros, em busca de subsistência, segundo relatam autoridades locais e membros da sociedade civil. 

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