Angola | São Tomé e Príncipe

Angola reduziu em 1/3 o fornecimento de combustíveis a São Tomé e Príncipe

Jorge Bom Jesus

O Governo do primeiro-ministro Jorge Bom Jesus admitiu que São Tomé e Príncipe está a atravessar sérias dificuldades, causando as mesmas um impacto cada vez mais grave sobre a população. O motivo deve-se ao facto de Angola, único fornecedor de combustíveis do país desde a independência, em 1975, ter decidido cortar na quantidade de combustíveis que fornecia.

O caso foi revelado por Bom Jesus durante a reunião com a comunidade são-tomense radicada em Portugal. “Angola neste momento está a nos enviar 1/3 daquilo que deveria normalmente enviar, daquilo que é o nosso consumo”, declarou em Lisboa.

Segundo o Chefe do Governo, Angola tem o monopólio no mercado de combustíveis de São Tomé e Príncipe, o que complica qualquer diligência no sentido de arranjar outro fornecedor de combustíveis. “A Sonangol é detentora de mais de 76% do capital social da ENCO [Empresa Nacional de Combustíveis e Óleos], e o Estado são-tomense só tem 16%. Os reservatórios de combustíveis pertencem à ENCO. Ainda que quisesse comprar combustíveis num outro lado, tinha que conversar com a Sonangol”, esclareceu.

Esta redução tem causado sucessivas roturas nos reservatórios de stock de combustíveis da ENCO, localizados na cidade de Neves. Os cortes no fornecimento de energia elétrica dominaram o país em julho e a falta de petróleo para a cozinha e para a iluminação complicou a vida da maioria da população.

“Há oito dias estive em Angola precisamente para abordar esta questão, porque é insustentável. Precisamos de uma moratória pelo menos até dezembro para encontrarmos novas soluções”, acrescentou a mesma fonte.

O governante referiu que, caso continue a ocorrer a rotura do stock, o seu governo tem os dias contados. “Porque o problema da energia e do arroz deixam cair governos em São Tomé e Príncipe, e tenho consciência disso”, concluiu.

Recorde-se que o ministro das Finanças e da Economia Azul, Osvaldo Vaz, anunciou que São Tomé e Príncipe deve 150 milhões de dólares (cerca de 136.260.000 euros) a Angola, um valor igual ao do Orçamento Geral do Estado são-tomense para este ano.

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