Angola

Angola: Repressão em Cabinda agrava com subida de João Lourenço ao poder

Existem denúncias de que foram detidos 61 ativistas este ano na província de Cabinda, encontrando-se 11 deles ainda na prisão. O motivo deste descontentamento que leva a manifestações deve-se, alegadamente, ao facto de muitos quererem a independência do enclave de onde Angola retira grande parte do seu petróleo.

A denúncia das referidas detenções, que terão ocorrido entre janeiro e fevereiro, foi feita em entrevista pelo deputado Raul Tati, eleito em Cabinda nas listas da UNITA. Segundo o próprio, os presos foram acusados de rebelião, associação criminosa, arruaça e desacato. O político partilhou também que um dos detidos é o presidente e o vice-presidente do Movimento Independentista de Cabinda (MIC).

Esta situação foi igualmente divulgada em entrevista pelo ativista cabindês José Marcos Mavungo, que disse que a situação em Cabinda “está a piorar” desde a chegada de João Lourenço à presidência de Angola, sentindo-se “mesmo uma mão-de-ferro” no território. Mavungo considera que tudo “faz crer que não há nenhuma vontade política de diálogo transparente, inclusivo e justo” por parte do Executivo do atual Chefe de Estado.

“Não passa de uma estratégia do regime para poder enganar ainda mais o povo”, concluiu, tendo afirmado ainda que “no tempo de José Eduardo dos Santos nunca vimos 70 e tal ativistas a serem presos de uma só vez”. O próprio esteve preso durante 433 dias por tentar organizar uma manifestação em Cabinda. Atualmente, vive em Portugal.

“Há uma grande tensão” no território situado entre os dois Congos e sem continuidade geográfica com o resto de Angola, referiu ainda o líder de outra associação política de Cabinda, conhecida como o Movimento da Reunificação do Povo de Cabinda para a sua Soberania (MRPCS). Arão Bula Tempo, advogado e que também passou dois meses na prisão por motivos políticos em 2015, não tendo o seu processo sido arquivado até hoje, sublinhou que “a repressão e a opressão, as detenções arbitrárias, os maus-tratos, não são a via mais adequada para resolver o problema”.

“Quando surge alguma vontade, alguma mobilização do povo para uma solução, sempre apareceram elementos ligados ao regime para perturbar os destinos do povo de Cabinda”, acrescentou.

“O Governo tem estado a aumentar o contingente repressivo no território, e como precisa ao mesmo tempo de uma sociedade civil fiel aos seus desígnios reutiliza o FCD [Fórum Cabindês para o Diálogo], um instrumento moribundo”, avançou Sedrick Carvalho, outro preso político e coordenador do livro “Cabinda – Um Território em Disputa”.

“Nada se alterou em Cabinda”, ajuntou, considerando que esta “é apenas mais uma etapa duma estratégia levada a cabo desde sempre, que visa essencialmente enfraquecer a sociedade civil credível que desenvolve as suas ações pacíficas”.

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