Angola

Angola: UNITA diz que uso excessivo da força policial já matou mais do que Covid-19

Polícia Nacional de Angola

O “governo-sombra” da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) criticou o alegado uso excessivo e desproporcionado de força das autoridades angolanas contra os cidadãos, que terá feito até agora cinco vítimas mortais.

O maior partido da oposição realçou que este número de mortes é superior às que foram causadas pela Covid-19, onde se registam duas.

A crítica foi feita através de um comunicado, divulgado nesta segunda-feira, 18 de maio, onde são feitas acusações à atuação do Governo desde o início do Estado de Emergência, decretado a 27 de março.

Nesse documento foi deixado um aviso aos angolanos para que não se distraiam, “pois o MPLA e o seu executivo pretendem desviar o foco dos cidadãos, tentando levá-los a concentrar todas as suas atenções na covid-19 e a esquecerem-se da fome, da saúde precária, da péssima qualidade de educação no país, das faltas gritantes e inadmissíveis de água e luz, das degradadas vias de comunicação que dificultam a circulação de pessoas e bens”.

Após dois meses desde o início do Estado de Emergência, a formação política verificou que muitas famílias enfrentam sérias dificuldades, como a fome, o que obriga muitos angolanos a recorrerem à caça aos ratos e aos contentores de lixo em busca de alimentos.

“Os anúncios feitos no sentido de se apoiar as populações mais necessitadas com a cesta básica não foram efetivados de forma satisfatória, a julgar pelas informações e constatações, na medida em que a campanha em causa enferma de vícios, o que agrava cada vez mais a condição de vida de cidadãos vulneráveis que ficam sem saber se morrem em casa confinados com a fome ou saem à rua à procura de mantimentos para mitigar a fome, enquanto a covid-19 não lhes bate à porta”, pode ainda ler-se.

A UNITA acrescentou que, com o surgimento do novo coronavírus, o Governo angolano “esquece-se ou finge esquecer-se de outras doenças que são a maior causa de morte”, apontando as mortes por tuberculose, diabetes, insuficiência renal e outras doenças crónicas, mas principalmente de malária, e os relatos sobre o surgimento de um surto de síndrome febril ictérico e febres hemorrágicas.

Angola tem cerca de 48 casos de Covid-19 e dois mortos, havendo em África 2.764 mortos confirmados, com mais de 84.500 infetados em 54 países.

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