Angola

Angola: UNITA preocupada com violação da fronteira com a RDC

Presidente de Angola, João Lourenço, com o homólogo da RDC, Félix Tshisekedi
Presidente de Angola, João Lourenço, com o homólogo da RDC, Félix Tshisekedi

O primeiro secretário provincial da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) no Zaire, Ernesto Makiadi, disse estar preocupado com a violação sistemática das fronteiras terrestres e fluvial pelos cidadãos da República Democrática do Congo (RDC) em situação migratória ilegal, uma vez que os mesmos, apesar da cerca sanitária nacional, querem entrar no território angolano.

A declaração foi feita em conferência de imprensa, em Mbanza Kongo. Esta preocupação do maior partido da oposição no país foi  justificada com os recentes relatos de detenção de estrangeiros ilegais no município do Soyo, o que tem deixado “a população aflita”, devido ao receio de contaminação da Covid-19, tendo a RDC registo de casos de contaminação comunitária pelo novo coronavírus. 

“Graças à população do bairro Kitona, no Soyo, que denunciou a presença de pessoas estranhas na vizinhança e permitiu à Polícia atuar. A missão da Polícia é nobre, mas o seu trabalho deve ser reforçado ao longo das fronteiras”, defendeu Makiadi, considerando que um agente da Polícia nunca deve sacrificar o interesse público em troca de valores monetários.

O político, que apresentava o ponto de vista da UNITA sobre o Estado de Emergência no Zaire, mostrou-se ainda apreensivo com o facto “de muitos efetivos da Polícia Nacional trabalharem sem máscaras de proteção durante as atividades de enfrentamento”.

“Receamos por estes agentes, porque se for detetado um caso desta doença nesta região, eles correm risco de contaminação pela Covid-19, por estarem muito expostos durante o seu trabalho”, explicou.

Entretanto, o portal de notícias congolês “Actualité”, que cita o representante local do Programa Nacional da Higiene nas Fronteiras, Christian Mabedi, informou que mais de 250 congoleses chegaram à RDC após terem sido expulsos de Angola.

“Eles chegaram exaustos e sem nada. Disseram-nos que foram vítimas de maus-tratos por parte das forças de segurança angolanas. O grave é que algumas das mulheres chegaram quase nuas”, denunciou Mabedi, ajuntando que foi medida a temperatura a todos os que atravessaram a fronteira e que nenhum apresentou sinais de Covid-19.

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