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Destino do BPI está nas mãos de Isabel dos Santos

Um dos maiores bancos de Portugal, o BPI pode cair por terra, não através de bancarrota ou algum problema similar, mas porque as suas operações em Angola ficariam paralisadas se perdessem a ligação com o Banco de Fomento Angola (BFA).

No primeiro semestre de 2015, os movimentos do BFA decidiram 70% dos lucros do BPI, o que demonstra a enorme dependência do banco português com esta instituição de financiamento angolana. E, a parceira do BPI no BFA é a Unitel.

À frente de tudo, está Isabel dos Santos, a filha bilionária do Presidente de Angola. José Eduardo dos Santos. Nestas circunstâncias, seria irónico assistir a uma pós-colonial empresária africana, derrubar um banco ligado à velha aristocracia de Portugal (Santos Silva e Ulrich).

A Santoro, de Isabel dos Santos, tem 18% das acções do BPI, com os respectivos direitos de voto, e, de acordo com informação da CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) sabemnos que é também uma accionista directa do BPI.

Entretanto, está pouco claro qual versão da Unitel (outra das empresas de Isabel dos Santos) é accionista do BFA. A Unitel é na verdade, duas companhias: Unitel Telefonica de Angola (cujos accionistas são a Sonangol, Isabel dos Santos e a antiga PT) e a Unitel International Holdings, que pertence totalmente a Isabel dos Santos.

Com Isabel no comando de Santoro e das duas Unitel, fica a pergunta sobre o que a impede de votar na proxima assembleia geral do BPI, que deverá decidir matéria na qual tem o maior interesse.

Especialistas consideram que a Santoro não deveria ser permitida votar na reunião do BPI em Fevereiro próximo. No entanto, este é um assunto legal que caberá às autoridades portuguesas dicidir.

O BPI tem um papel fundamental no rol de influências da primeira familia de Angola, a família Santos, e nos seus interesses particulares com a China, via Macau. Em especial com a Macau Offshore Branch. Uma sucursal que no final de 2014 tinha mais de 2 mil milhões de euros em depósitos a prazo, e com a particularidade de, por não ter negócios directamente com Macau, é completamente opaco.

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