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JES imputa responsabilidades do fracasso das negociações com o FMI ao recém-exonerado ministro das Finanças

O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos (JES), anunciou na segunda-feira, 05 de setembro, uma mini-remodelação governamental que incluiu o ministro das finanças, Armando Manuel, que foi substituído por Archer Mangueira, até agora presidente da Comissão dos Mercados de Capitais angolanos.

JES nomeou também Manuel da Cruz Neto como ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, substituindo Edeltrudes Maurício Fernandes Gaspar da Costa. Este último, por sua vez, assumirá o cargo de secretário-geral do Presidente da República, segundo a agência de notícias Angop.

Foi ainda nomeado Marcos Alexandre Nhunga para a pasta da Agricultura, no lugar de Afonso Pedro Canga.

De acordo com a imprensa angolana, a mudança de titular na pasta das Finanças estará diretamente relacionada com o fracasso das negociações com o FMI, conduzidas por Armando Manuel, com vista a um empréstimo de emergência para superar as dificuldades de liquidez resultantes da diminuição de receitas do petróleo.

Augusto Archer de Sousa Hose, conhecido como Mangueira, foi eleito recentemente para o comité central da Frelimo e cooptado para o círculo próximo de JES.

Segundo uma fonte da Frelimo, com esta mudança JES pretende assinalar a responsabilidade do referido fracasso negocial e ilibar outras responsabilidades, eventualmente relacionadas com a opacidade da administração empresarial do Estado.

Na verdade, segundo a mesma fonte, o fracasso das negociações ficou a dever-se à renitência de JES aceitar as condições impostas pelo FMI, designadamente no que diz respeito à orientação do investimento público para a diversificação da economia, às reformas institucionais e de ajustamento estrutural impostas pelo Fundo e, sobretudo, às exigências de mais transparência relativamente às empresas públicas, com a Sonangol à cabeça, que atualmente é gerida pela filha do Presidente, Isabel dos Santos.

Por outro lado, JES espera que os contactos privilegiados de Mangueira nos mercados de capitais internacionais possam desbloquear fontes de financiamento alternativas para o problema de liquidez que continua a afetar o Estado angolano.

 

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