Presidente da Cruz Vermelha de Angola acusado de gestão danosa e abuso de confiança

O presidente da Cruz Vermelha de Angola (CVA), Alfredo Pinto Elavoco, está a ser acusado de gestão danosa e abuso de confiança, que resultaram num alegado desvio de mais de 400 mil dólares (cerca de 363.361 euros).
Em menos de um ano de mandato à frente da organização, o visado está a ser alvo de queixas por parte dos funcionários da CVA, que, através de uma denúncia, pedem à Procuradoria Geral da República a instauração de um inquérito para que sejam apurados os factos, bem como averiguadas as actas das reuniões do organismo.
De acordo com os denunciantes, o presidente e o diretor interino de contabilidade e finanças, Simão Caquarta, na qualidade de voluntários, não devem movimentar as contas da instituição à luz dos estatutos, tendo exigido ainda inquéritos às contas bancárias destes, bem como do secretário provincial de Benguela.
“O presidente, por ser voluntário da instituição, não deve fazer estes gastos, usufruir dos bens e nem receber salários. Ele tem transferido valores para a conta da Cruz Vermelha de Benguela e esta passa para as suas contas pessoais”, declarou um dos denunciantes.
Pinto Elavoco já veio negar as acusações, alegando serem infundadas, de má fé e perseguição, movidas por alguns membros da instituição que não estão satisfeitos com a sua eleição. “Essas acusações não têm consistência. A situação de Benguela não tem nada a ver com desvios de fundo, porque a transferência que se fez foi utilizada para o pagamento de salários”, justificou.
Os denunciantes exigem igualmente a realização de inquérito à nova empresa de segurança, bem como contratos celebrados com algumas pessoas, acusadas de serem supostos familiares dos responsáveis da agremiação filantrópica que trabalham na direção. “Estamos diante de gestão danosa, devido ao desvio de mais de 400 mil dólares pelo atual presidente Alfredo Pinto Elavoco, valores que encontrou na conta da instituição e que foram usados para fins inconfessos”, afirmou um trabalhador, que pediu anonimato.
Alfredo Elavoco confirmou que a CVA está, há oito dias, a ser alvo de investigação por parte da Inspecção Geral da Administração do Estado e da Inspecção Geral da Saúde, na sequência da denúncia dos trabalhadores. Na presença do diretor interino da Contabilidade e Finanças, admitiu que a instituição vive um mau momento, que tem causado o atraso no pagamento de salários aos trabalhadores, há quatro meses.





