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Transportes públicos abarrotados desafiam covid-19 em Angola

A lotação dos famosos “maximbombos” excede os 75% previstos no decreto da Situação de Calamidade. Operadoras privadas e públicas violam a lei diante dos olhos das autoridades. A isso, junta-se o uso incorrecto de máscara por parte dos utentes.

Pelas vias de Luanda, com destaque nas principais avenidas, nomeadamente, Deolinda Rodrigues, Fidel Castro, Van-Duneem Loy, aparentemente tudo voltou a normalidade. Todos os dias são observados autocarros de operadoras privadas e, inclusive da estatal Tcul, sobrelotados com os utentes a apertarem-se uns aos outros com a única preocupação de chegarem aos seus destinos. Poucos são os que se importam pela possível contaminação por covid-19, parte significativa dos utentes usam incorrectamente a máscara e outros  tantos nem fazem uso dela.

Domingos Muenho, fiscal da operadora Angoreal, atribui culpa aos utentes que teimam embarcar mesmo quando é atingida a lotação prevista no decreto. “Nos pontos de embarque os autocarros saem conforme dita a lei. Ao longo do trajecto, infelizmente, os passageiros sobem mesmo quando são avisados que não devem”, conta.

Por sua vez, sem querer se identificar, um motorista da operadora pública Tcul, apresenta outra justificação. Atribui o excesso de lotação ao facto de as transportadoras urbanas estarem mergulhadas em problemas financeiros. “Quanto mais pessoas transportamos mais receitas arrecadamos. A pandemia, principalmente a fase de confinamento, causou graves prejuízos. Todos sabem que as operadoras sobrevivem desde a instalação da crise”, assinala.

Apesar dos 200 autocarros entregues às operadoras, pelo Ministério dos Transportes no ano passado com o objetivo de reforçar a frota, continua a observar-se nas ruas da capital angolana longas filas formadas por cidadãos da camada baixa, residentes nas periferias. Sem qualquer cumprimento das medidas de prevenção para a covid-19, ficam em média meia hora à espera de transportes. Não existe horários pré-estabelecidos de embarque.

À semelhança de muitos outros utentes, Sílvia Teixeira, zungueira (vendedora ambulante), confessa ter perdido o medo da covid-19, pois todos os dias está em ajuntamentos “dentro e fora de transportes públicos.” Escolhe meios públicos porque são mais baratos em relação aos táxis privados que custam três vezes mais.

Diante deste cenário, estranhamente, os agentes reguladores de trânsito ou polícias de ordem pública não multam nem privam as operadoras de transporte de passageiros violadoras do decreto.

Em Luanda existem mais de cinco operadas de transporte de passageiros, os conhecidos autocarros ou maximbombos, entre as quais destaca-se a pública, Tcul, com mais meios à disposição. A referida operadora está em processo de privatização desde o ano passado.

 

 

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