Brasil: Guerra leva o país a escolher produzir fertilizantes em terras indígenas ou comprar do Irão 

A ministra da Agricultura do Brasil Tereza Cristina anunciou que vai apresentar um plano nacional para produção de fertilizantes no país, até o dia 17 de março.  O presidente Jair Bolsonaro procura meios de permitir a exploração do potássio localizado no interior da Amazónia. A proposta vem com um preço: as reservas ficam dentro de terras indígenas.

Os parlamentares brasileiros consideram que há urgência em adotar medidas que ajudem a reduzir a dependência do potássio estrangeiro, para a produção de fertilizantes, diante do risco de diminuição da oferta de fertilizantes, em razão da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. A ministra revelou que o plano já era elaborado antes da crise de abastecimento, voltado para a produção de fertilizantes no Brasil. Apesar de apontar para a procura de novos fornecedores, como a Rússia, a chefe da pasta não indicou o que será feito para garantir a produção interna. 


O vice-líder do governo Evair Silva considera que a mineração nessas terras é um preço necessário. “A soberania brasileira passa pela produção de fertilizantes em território interno. O brasileiro pode escolher: ou passa fome, ou começa a extrair potássio nessas terras indígenas“, argumentou.


A abordagem não é bem vista pelo deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP), líder da Frente Parlamentar Ambientalista. “O que o governo quer é legalizar a mineração em terras indígenas. É uma pauta que o governo defende desde o começo. Agora, querem usar esse argumento, que é extremamente falho e falso”, afirmou. O parlamentar também aponta que, mesmo que seja legalizada a extração de potássio na Amazónia, as operações dificilmente teriam como começar em menos de um ano.


O líder do governo já levanta duas alternativas. A primeira delas, para lidar com a falta de fertilizantes provocada pela guerra, é estreitar laços com o Irão. “Tanto o Canadá quanto o Irão são países importantes nessa produção. O Irão tem muito interesse em importar produtos brasileiros, como a soja. Eles têm interesse em ampliar a agenda comercial com o Brasil, e são uma opção que o Brasil precisa procurar”.
Outra alternativa, para longo prazo, é o investimento em pesquisas. “Em tempo de escassez, precisamos investir na pesquisa agronômica para desenvolver novas variedades cultivares que tenham menor dependência desses fertilizantes. Isso não resolve a situação das próximas safras, mas pode solucionar a questão em poucos anos”, sugeriu.


Além da pesquisa relacionada aos produtos, Zé Silva também propõe que o governo invista em pesquisas de microorganismos de efeito semelhante. O deputado dá como exemplo um estudo concluído em 2021 pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “Eles buscaram microorganismos nas raízes do mandacaru, uma planta da caatinga brasileira, que hoje é um produto biológico que aplicamos em cana e pastagens, que aumenta de quatro a cinco toneladas a colheita por hectar ao ano”, relembra.

Carlos Vasconcelos – Correspondente 

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