Brasil: Polícia Federal prende membros de fação criminosa que pretendia sequestrar o ex-juiz Sérgio Moro

A Polícia Federal do Brasil deflagrou uma operação, no último dia 22 de março, que investiga uma fação criminosa (Primeiro Comando da Capital – PCC), que teria planeado sequestrar e matar autoridades brasileiras. Um dos alvos seria o Senador Sérgio Moro, que liderou o processo que culminou na prisão de Lula por mais de 500 dias no âmbito do processo Lava-Jato. O PCC é um dos maiores grupos de crime organizado do Brasil e está com o seu comando localizado nas comunidades de São Paulo. A suspeita é de que seria uma retaliação aos tempos em que Moro era juiz e transferiu Marcola e outras lideranças do PCC para presídios de segurança máxima.

Nas redes sociais, Sérgio Moro agradeceu às Forças Policiais, que trabalharam em conjunto para o sucesso da operação.

Sobre os planos de retaliação do PCC contra a minha pessoa, a minha família e outros agentes públicos, farei um pronunciamento à tarde na tribuna do senado. Por ora, agradeço à PF, PM/PR, Polícias legislativas do Senado e da Câmara, PM/SP,MPE/SP, e aos seus dirigentes pelo apoio e trabalho realizado”, disse este senador brasileiro.

Mais Tarde, em discurso no Senado, Moro falou que a facão criminosa PCC estaria a executar um plano de ação para se “vingar” da época em que o senador atuou como juiz e ministro da Justiça de Bolsonaro. Ele também comentou a crescente escalada de crimes no governo Lula. Na operação, foram efetuados 21 mandados de busca e apreensão e 11 prisões em diferentes estados brasileiros, com oSão Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Rondônia.

O Ministro da Justiça e da Segurança Pública do Brasil, Flávio Dino, declarou que a operação protegeu Sérgio Moro e rechaçou a possibilidade de qualquer conexão entre as falas de Lula sobre vingar-se de Moro, com a ação da fação criminosa.

“Evidentemente é impossível vincular um facto ao outro, porque nós estamos falando de horas, em relação ao inquérito policial que foi instaurado há semanas, e factos que se reportam há meses”, disse Flávio Dino.

Este ministro também posicionou-se a respeito da politização em cima da ação dos criminosos. Para ele, a operação foi bem-sucedida e evitou que algo acontecesse ao Senador.

“Mas o que nós fizemos foi, cumprindo a lei, proteger a vida do nosso adversário… É importante ter isso claro. Se nós não tivéssemos agido, aí sim poderia haver alguma ilação. Mas a Polícia Federal agiu de modo exemplar e faço questão de assinalar que foi uma decisão da Polícia Federal atuar de modo exemplar”, declarou Dino.

Além de matar, os suspeitos planeavam sequestrar as autoridades públicas brasileiras. Os grupos também tinham como alvo Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial De Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

Em entrevista, Gakiya declarou que não pode precisar se a ideia da fação era matar o senador, mas que sequestrá-lo parecia mais vantajoso, para conseguir em troca a liberdade de Marcola.

“É uma das possibilidades. A gente não pode dizer se o plano era para executar o ex-ministro Sérgio Moro ou se era um plano para sequestrá-lo, inclusive, junto com seus familiares. Talvez, a segunda opção fosse mais plausível, na visão dos investigadores. É uma personalidade pública, se houvesse esse sequestro causaria um clamor dentro e fora do Brasil, e com isso tentar trocar a liberdade de Moro e família pela soltura de Marcola ou a devolução dele para o sistema penitenciário paulista”, disse Gakiya.

Durante evento, Lula afirmou, antes de conhecer os novos contornos do caso, que toda essa movimentação não passava de uma encenação por parte de Moro, que, em Brasília, repudiou as palavras de Lula e disse que se acontecer algo com a sua família, o presidente da República será responsabilizado.

Nos últimos dias, a juíza responsável pelas investigações levantou o segredo de justiça, dando a conhecer publicamente as ameaças.

Ígor Lopes

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