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Angola: Avanço na cooperação com Israel no domínio da agricultura no Planalto Central

Oren Rozenblat, embaixador de Israel em Angola, referiu ontem na província do Huambo, no Planalto Central, no decorrer de uma visita de dois dias à região, que Israel pretende cooperar com o governo da província do Huambo no sector agrícola.  

Rozenblat disse que o fomento da agricultura e a especialização de agrónomos estão no âmbito da cooperação a estabelecer entre Angola e Israel, destacando que Israel pretende investir na “assistência técnica” aos agricultores angolanos do Planalto Central, bem como proporcionar estágios em Israel a estudantes do ensino superior no domínio agrícola. Oren Rozenblat acrescentou que há 1200 estudantes angolanos em Israel, estando 3000 inscritos em programas de estágios na área da agricultura.  

Segundo as declarações do embaixador de Israel em Angola: “Queremos ter cooperação na agricultura, para que os angolanos tenham produtos locais, sem necessidade do país importar. Angola tem condições bastante para atingir tal feito. Tem água, espaço e recursos humanos, meios fundamentais para alavancar este sector”.  

Maricel Capama, governadora em exercício da província, mencionou que a cooperação com Israel no sector agrícola irá “ajudar a combater a fome e a pobreza” no Planalto Central.  

Capama disse que: “A nossa província tem um grande potencial na área da agricultura, temos aqui a Faculdade de Ciências Agrarias, o Instituto de Investigação Veterinária e Agronómica, terrenos aráveis para cultivo, facto que representa uma mais-valia para província, às famílias e a população, em geral, que irá beneficiar com esta parceria”. 

A governadora em exercício do Huambo referiu que a província possui 69 mil hectares de terra em condições para o desenvolvimento agrícola.  

Está previsto que 800 mil e 500 famílias de agricultores beneficiem até 2021 do Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Familiar e Comercialização (MOSAP II), projecto que será executado em 8 dos 11 municípios da província do Huambo, de forma a reduzir a pobreza.  

O MOSAP II prevê também a reabilitação das vias secundárias, terciárias e pontes nas áreas onde será implementado, de forma a facilitar o escoamento dos produtos agrícolas. 

Em termos de produção agrícola no Planalto Central, a médio prazo, espera-se que o arroz e o trigo se juntem às principais culturas no Huambo, a saber: milho, hortaliças, feijão, batata-rena e batata-doce.  

Refira-se que, em fevereiro pessado, Gideon Behar, director da divisão África do ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel, declarou que o seu país tem “um amplo programa para intensificar a cooperação com os Estados africanos”. Behar sublinhou que África “oferece oportunidades únicas a Israel” em sectores como a agricultura “completa”, referindo-se  à agricultura de grande intensidade, energia alternativa, tecnologia, segurança cibernética e segurança convencional.

Segundo Gideon Behar: “Identificamos uma série de zonas com potenciais acima do normal, em termos de exploração de matéria, transacções comerciais e altos negócios”.

O director da divisão África do ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel declarou, à data, que foram “precisos mais de 20 anos para recuperar a relação com África”, tendo neste momento o executivo israelita “uma estratégia para manter a cooperação e consolidar aquilo que já conquistamos juntos”.

Em novembro de 2017, um estudo realizado pela Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), da Universidade José Eduardo dos Santos, referia que a província do Huambo dispõe de 1 milhão, 461 mil e 128,28 hectares de terras em condições para a agricultura.  

Em finais de julho de 2017, o presidente angolano, João Lourenço, no decorrer da abertura da campanha política, disse que: “O Huambo é o celeiro de Angola, a população é, por natureza, produtora, a produção é visível. Por que não continuar a apostar na agricultura? O planalto central tem condições para voltar a produzir com fartura e ser o celeiro nacional que foi outrora”.  

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