Brasil: Bolsonaro utiliza missão diplomática para campanha política 

O presidente Jair Bolsonaro viaja na próxima semana para dois importantes eventos internacionais: o funeral da rainha Elisabeth II e a abertura da Assembleia Geral da ONU. Em ambas ele pretende utilizar as imagens dos acontecimentos para a sua campanha política, na tentativa de se reeleger presidente da república brasileira.

Assim, o atual Presidente do Brasil pretende fazer o mesmo que já tinha feito com as comemorações do Bicentenário da Independência do país, no passado dia 7 de setembro, quando realizou manifestações políticas e mobilizou os seus apoiantes deixando de lado o significado da data histórica.

Para especialistas em conjuntura política nacional, Bolsonaro transformará dois dos principais eventos mundiais de 2022 num ato de campanha eleitoral. Na segunda-feira, estará em Londres para o funeral da rainha Elisabeth e, em seguida, viaja para Nova Iorque para participar da abertura da Assembleia Geral da ONU.

Fontes em Brasília também confirmaram a jornalistas que, em plena campanha eleitoral, uma ala do bolsonarismo defendia que o presidente privilegiasse uma agenda doméstica. Mas, segundo Jamil Chade, do UOL, venceu o grupo que sugeriu justamente usar os dois palcos internacionais como palanques eleitorais. A vantagem é que, em ambos, as viagens seriam amplamente justificadas.

O jornalista Tales Faria observa que no funeral vai tentar passar a imagem de que o presidente não é um pária internacional e que está ao lado dos principais líderes do mundo. A previsão é de que o funeral seja acompanhado de forma presencial por cerca de 500 chefes de estado e de governo de todo o mundo.
De acordo com a imprensa internacional, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, os principais governos europeus, a família imperial do Japão, os monarcas da Espanha, Holanda, Dinamarca, Mônaco, Jordânia e de outros países já confirmaram presença.

Antes disso, Bolsonaro não conseguiu um só convite para visitar uma grande capital da Europa Ocidental ao longo de seu mandato. “Ele rompeu com o governo francês, ignorou os alemães e apenas esteve em encontros multilaterais, como o G20, no qual sua presença não depende de uma vontade individual dos líderes estrangeiros”, referiu Jamil Chade. O Palácio do Planalto chegou a pedir que Boris Johnson, então primeiro-ministro britânico, o recebesse. Sem sucesso.

No próximo dia 20, terça-feira, Bolsonaro cumpre o papel tradicional do Brasil de abrir a Assembleia Geral da ONU. Mas se os três primeiros anos de sua presença em Nova York já foram marcados por discursos transformados em atos para seu próprio público doméstico, agora a expectativa dentro do próprio Itamaraty é de que o discurso seja transformado num ato de campanha política.

A utilização da tribuna da ONU e a sua transformação em palanque era algo que, dentro da chancelaria, passou a ser uma preocupação. O esforço, segundo fontes no Itamaraty, é de que o discurso também traga temas como meio ambiente e a questão ucraniana, como forma de sinalizar a posição do Brasil ao mundo. 

A posição do secretário geral da ONU António Guterres foi manifestada recentemente quando antecipou parte do discurso que fará em plenário. Par ele, a solidariedade internacional está a ser minada “por um desprezo chocante pelos mais pobres e vulneráveis em nosso mundo, por políticos que jogam com os piores instintos das pessoas para obter ganhos partidários, por preconceitos, discriminação, desinformação e discursos de ódio que colocam as pessoas umas contra as outras”.

Carlos Vasconcelos – Correspondente 

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