Brasil: BRICS em análise em seminário no Rio de Janeiro

A organização internacional de combate à pobreza, ActionAid, realizou, no dia 10 de outubro, no Rio de Janeiro, o seminário “Os BRICS e o Papel da China no Desafiante Contexto Geopolítico Global”. Essa iniciativa aconteceu com o apoio do BRICS Policy Center, Centro de Estudos e Pesquisas BRICS, vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio (IRI/PUC-Rio), e da Fundação Mott. A ideia foi promover um balanço da trajectória do bloco e reflectir sobre os passos futuros, além de construir um mapa de propostas e traçar estratégias comuns, entre as sociedades civis dos países participantes, para a próxima Cúpula dos BRICS, que acontecerá no Brasil, em 2019.

Essa acção no Rio de Janeiro assinalou uma década de existência dos BRICS, grupo de cooperação entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Responsáveis pelos governos desses países avaliaram o cenário internacional complexo e de mudanças nos planos económico, político, social e cultural.

“Um dos aspetos centrais desse contexto em mutação se refere à ascensão chinesa e às novas disputas por hegemonia que emergiram a partir da ampliação da sua influência e poder internacionais, e que informam a maneira pela qual as relações entre os países das mais diversas regiões se estabelecem actualmente”, comentou Gerardo Cerdas Vega, analista de Políticas da ActionAid no Brasil.

Ainda segundo este responsável, o encontro destacou-se por ser “um momento muito propício para a reflexão dado o contexto interno que vive o Brasil hoje, pois ele também terá repercussões nas suas relações internacionais”. Vega sublinhou que a ActionAid enxerga os BRICS “como um canal de aproximação entre as sociedades civis de países com elevados índices de desigualdade, para demandar um modelo de desenvolvimento mais justo e inclusivo”.

Durante o evento, que contou com a participação de pesquisadores brasileiros, como o professor Sergio Veloso, do BRICS Policy Center; indianos, entre eles, Divita Shandilya, da ActionAid, e, da África do Sul, Lindelwe Nxumalo, da ActionAid, foram discutidos também diagnósticos e resultados de pesquisas realizadas nos últimos anos. O encontro serviu também para chamar a atenção da sociedade para o actual cenário político brasileiro e o contexto social internacional.

“Na conjuntura sensível na qual nos encontramos, com a democracia brasileira na corda bamba do fascismo, esse seminário é de grande importância para a construção de propostas e estratégias comuns na busca de um mundo mais justo, seguro e igualitário e pautado sempre na defesa dos direitos humanos como princípio básico para a vida em qualquer lugar do mundo”, reforçou o coordenador do BRICS Urbe e pesquisador do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio, professor Sérgio Veloso.

 

Cooperação cultural em pauta na África do Sul

O ministro da Cultura do Brasil (MinC), Sérgio Sá Leitão, participou no terceiro Encontro de Ministros da Cultura dos BRICS, em Pretória, na África do Sul, no último dia 31 de outubro. Na reunião, esse ministro defendeu a “posição brasileira no âmbito cultural do grupo e sublinhou as acções que têm sido implementadas para firmar as alianças culturais assumidas durante a presidência chinesa, em 2017”.

Na África do Sul, país que ocupa a presidência rotativa do grupo, estiveram em pauta a valorização da cultura no âmbito do bloco, cujos integrantes reforçaram a “importância do tema e, também, da indústria criativa como factor de desenvolvimento económico e social”. Responsáveis pelo governo brasileiro avaliaram que “a cultura proporciona profissionalização, geração de empregos e renda”.

“No Brasil, a indústria criativa responde por 2,64% do valor do Produto Interno Bruto (PIB) e pela criação directa de mais de um milhão de postos de trabalho. Outro vector de desenvolvimento é o sector de património cultural, especialmente quando tratado pelo viés turístico”, confirmaram fontes do MinC.

“O Brasil já detém índices expressivos na área da economia da cultura e tem muito potencial para ir além. Reforçamos aos nossos parceiros o quanto a cultura é relevante para o desenvolvimento das nações. E, se actuarmos em parceria, ganhamos potência global”, defendeu Sá Leitão.

No encerramento da reunião foi assinada a Declaração de Maropeng, Berço da Humanidade. No documento, os ministros presentes reiteraram o papel da cultura como geradora de desenvolvimento económico e o compromisso com o Plano de Acção para a Implementação do Acordo entre os Governos do BRICS para Cooperação no Campo da Cultura (2017-2021), assinado em julho de 2017, em Tianjin, na China.

Além do responsável pela pasta da Cultura do Brasil, o terceiro Encontro de Ministros da Cultura dos BRICS contou também com a presença dos ministros da Cultura da Rússia, Vladimir Medinsky; da Índia, Mahesh Sharma; da China, Xiang Zhanglun; e da África do Sul, Nkosinathi Mthethwa.

 

Brasil assume grupo

A partir de 2019, o Brasil será presidente rotativo dos BRICS. Dessa forma, Sá Leitão aproveitou o encontro no continente africano para apresentar as actividades planeadas para serem executas durante o período de gestão do bloco por parte do seu País. Segundo apurámos, o Brasil prepara uma proposta de Acordo de Cooperação no combate ao tráfico ilícito de bens culturais, cujos contornos ainda não são conhecidos.

Para o período da presidência brasileira, o MinC tem já prevista a organização do quarto Festival Internacional de Cinema dos BRICS, em Niterói, no Estado do Rio, no segundo semestre de 2019. Em reunião com a delegação de cultura da África do Sul, em setembro deste ano, Sá Leitão adiantou que a pasta já reservou R$ 2,5 milhões para o festival.

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