Brasil: Dia da Independência marcado por “manifs” contra e a favor de Bolsonaro

O dia comemorativo da Independência do Brasil, 7 de setembro, ficou marcado por fortes manifestações tanto de apoio como contra o presidente da República, Jair Bolsonaro.

Várias cidades brasileiras registaram, neste feriado nacional, manifestações com frases de ordem pela manutenção do presidente mas também se ouviram pedidos para que Bolsonaro seja afastado do cargo. Vozes contrárias ao governo sugerem que Bolsonaro “cria controvérsia entre poderes”.

Bolsonaro tem criticado fortemente alguns dos juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) em virtude de decisões que vão contra o seu governo e que “favorecem outras linhas políticas”. Jair Bolsonaro chegou mesmo a pedir o impeachment do juiz Alexandre de Moraes.

No dia 7 de setembro, num discurso diante de uma multidão, Bolsonaro afirmou que não irá cumprir mais decisões de Alexandre de Moraes porque há desrespeito à constituição. A Ordem dos Advogados do Brasil declarou que a solicitação do mandatário brasileiro “não se coaduna com o princípio da razoabilidade, nem com a indispensável independência e harmonia que deve existir entre os Poderes constituídos”.

Marco Antunes, residente no Rio de Janeiro e com raízes portuguesas, afirma que “tem acompanhado o dia a dia das notícias relacionadas com a política no Brasil nos canais de televisão portuguesa e que a realidade não está a ser retratada da forma mais correta, pois há muitos apoiantes do governo Bolsonaro, e não há só críticos e que é preciso lutar contra a corrupção”.

Por sua vez, Letícia Nunes, que vive em São Paulo e é natural de Viseu, reitera que Jair Bolsonaro tem mostrado “incompetência no trato com as situações e que é uma ameaça à democracia”.

Interações no Rio e em São Paulo

No Rio de Janeiro, o governador do Estado acompanhou as manifestações desde o Centro Integrado de Comando e Controlo. Cláudio Castro apostou no reforço do planeamento. Toda a movimentação foi acompanhada pela cúpula de Segurança do Estado para “garantir a segurança da população nas manifestações”.

“Desde a semana passada, a nossa cúpula de Segurança vem se planeando para que as manifestações acontecessem de forma pacífica. Nesse planeamento, a segurança da população sempre foi a nossa principal preocupação. Felizmente, não houve nenhum registo de confusões ou feridos. Apenas um caso de prisão de um homem com uma arma branca em Copacabana, realizada por agentes do programa Segurança Presente”, explicou o governador.

Entre as ações definidas, houve reforço do efetivo da Polícia Militar (PM), sobretudo em pontos de maior concentração durante manifestações e também na orla do Rio, além de aumento de agentes nas esquadras próximas a esses pontos.

Já o governo de São Paulo, liderado por João Doria, atualmente crítico de Bolsonaro, aplicou nova autuação ao presidente do país por não utilizar máscara durante a manifestação que ocorreu na Avenida Paulista, na capital.

Os agentes da Vigilância Sanitária Estadual também autuaram outras 13 autoridades e personalidades, entre deputados, secretários, lideranças religiosas, artistas e empresários durante o ato durante o feriado.

Segundo informou fonte do governo de São Paulo, esta é já a sétima ocasião em que Bolsonaro descumpriu normas sanitárias no território paulista, acumulando seis reincidências.

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