Brasil | Entrevista

Brasil: Eleições Municipais. Candidato a prefeito de Nova Friburgo, Alexandre Cruz promete valorizar ações da comunidade portuguesa na cidade.

Alexandre Cruz é atualmente presidente da Câmara Municipal de Nova Friburgo, cidade do estado do Rio de Janeiro. Aos 49 anos de idade, este responsável, que mantém ligações a Portugal, apresentou candidatura a Prefeito da cidade friburguense.

Os seus planos incluem investimentos em Saúde, Educação, Segurança Pública e Turismo. Cruz garante ainda que um dos seus objetivos é “fomentar e fazer com que a colónia portuguesa na cidade possa cada vez mais divulgar a sua cultura”.

Conversamos com este candidato, que falou sobre o que pensa fazer por Nova Friburgo como prefeito, reforçou o papel da cidade na região, destacou a importância do turismo para o desenvolvimento local e mencionou a extrema necessidade de se atuar para recuperar o tecido económico de Friburgo.

O que motivou a sua candidatura a prefeito da cidade de Nova Friburgo?

A vontade de ajudar, de fazer Nova Friburgo crescer e melhorar a cada dia.

Que desafios o prefeito de Nova Friburgo terá numa época pós-pandemia?

O principal desafio será a retomada da economia. Fazer Nova Friburgo voltar a crescer.

Como o Covid-19 está a mudar Nova Friburgo?

Como em todo o mundo, muitas empresas tiveram prejuízos por conta do isolamento social, do fechamento de lojas e indústrias, pessoas perderam empregos e, o pior, perdemos vidas.

É a primeira vez concorre ao cargo?

Sim. Pela primeira vez.

Que planos tem para Nova Friburgo?

Nova Friburgo tem hoje problemas em várias áreas que estão ainda mais evidenciados nesta época de pandemia.

O que é preciso fazer para cuidar da população friburguense?

O meu plano de governo traz propostas para todas as áreas da cidade, desde turismo a saúde. Seguem algumas das propostas:

– Quando fui secretário de Obras, consegui colocar a Usina de Asfalto quente para funcionar em 45 dias. No atual governo, a usina está fechada. Pretendo retomar a Usina;

– Nova Friburgo tem uma das maiores frotas de carros em relação ao número de habitantes. A primeira providência é a regularização de uma empresa de autocarros, através da licitação, feita dentro da lei, já que a atual empresa opera na cidade sem contrato. Será implantado um novo sistema de transporte público rodoviário, integrado com Veículo Leve sobre Trilhos, como o que existe no Rio de Janeiro, capaz de interligar as zonas Norte e Sul do município ao centro da cidade. Será feita uma ciclovia funcional e o passeio para pedestres será feito às margens do rio;

– Na área da Saúde, através dos Programas “Saúde em Suas Mãos”, será possível, por telemóvel, o controlo de marcações, informações sobre consultas e histórico da saúde, através de um projeto criado junto a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). O objetivo é priorizar e trazer melhorias, através da contratação de profissionais para as unidades básicas de saúde da família, tornando mais ágeis e humanizados os atendimentos;

– O Hospital Raul Sertã, hoje, é regional, atendendo moradores de 14 cidades vizinhas. O objetivo é buscar recursos no Estado e na União para cobrir os gastos com esses pacientes. A prioridade é trabalhar em conjunto com a população, fortalecer a gestão democrática e participativa da saúde, garantindo a articulação com a sociedade civil e fortalecendo o Conselho de Saúde;

– Os idosos vão ter atendimentos especializado, com promoção integral da saúde, articulando políticas na área da Educação, Saúde e Cultura, estimulando o envelhecimento ativo;

– Na Educação, o objetivo é seguir os pilares apresentados pelas Nações Unidas: APRENDER A CONHECER, APRENDER A FAZER, APRENDER A CONVIVER E APRENDER A SER. Para isso, serão necessários mais investimentos transversais na Educação: valorização; formação e capacitação do profissional; e o custeio de manutenção da estrutura do sistema de Educação;

– Ainda terá investimentos na construção e reformas de escolas e creches com mais salas, quadras, áreas de lazer e recreação cobertas.

Como enxerga todos os problemas atuais de casos de corrupção no estado do Rio?

O nosso candidato a vice-prefeito é policial Federal e um dos seus principais objetivos é acabar com qualquer tipo de corrupção. A nossa chapa não aceita a corrupção e será totalmente voltada para o fim dessa prática.

Fazem parte da sua meta a recuperação económica de Nova Friburgo e a criação de empregos?

Pós pandemia, o objetivo é trabalhar em conjunto com entidades que fomentem as indústrias e o comércio que mais empregam na cidade. E, como Nova Friburgo tem um potencial turístico enorme, ainda a ser fomentado, esse setor merece atenção especial. O mundo mudou de forma muito rápida. Novas necessidades e novas profissões surgiram. Nova Friburgo sempre foi pioneira. Desde as primeiras fábricas têxteis e eletromecânicas até as confeções de lingerie. Sempre estivemos na frente. É necessário retomar esta dianteira. Muitas empresas de tecnologia que estão nos grandes centros podem perfeitamente se estabelecer em Nova Friburgo. Temos um clima maravilhoso, infraestrutura educacional e de saúde, um custo de vida menor, comparado aos grandes centros urbanos, e vamos restabelecer a lei de incentivo às empresas de tecnologia. Eles não precisam de muito espaço, não são poluidores, empregam pessoas capacitadas e com salários mais altos. Os seus produtos têm alto valor agregado e geram renda. Por outro lado, a prefeitura de Nova Friburgo precisa reorganizar as suas contas públicas para recuperar a sua capacidade de investimento em construção civil, que é um setor que responde rápido à retomada do investimento gerando emprego e renda. Tudo isso ajudará a preparar a cidade para uma nova e desafiadora perspetiva económica.

Como ingressou na política?

Em 1992, após nove anos como seminarista, deixei a vida religiosa para ingressar na vida pública. A minha trajetória política conta com mais de duas décadas. Iniciei a carreira política em 1992, quando fui candidato pela primeira vez. Logo em seguida, em 1994, com apenas 23 anos, assumi o departamento de bairros da Secretaria de Serviços Públicos e, seis meses depois, fui convidado para assumir a Subsecretária da mesma. Ao longo da vida pública, assumi diversos postos estratégicos. Em 2015, licenciei-me do Legislativo para assumir a Secretaria de Obras. Em 2017, fui eleito presidente da Câmara Municipal de Nova Friburgo pela terceira legislatura e sou reconhecido como um dos parlamentares mais atuantes do legislativo friburguense.

Há algum tempo viver ou ter um imóvel na região serrana do Rio deixou de ser sinónimo de qualidade de vida, de oportunidades. É possível transformar a imagem de Nova Friburgo no cenário nacional?

Nova Friburgo é uma cidade linda, acolhedora, ainda mantém características de cidade pequena, apesar de ter crescido bastante. O objetivo é fomentar o turismo para que mais pessoas venham visitar a cidade e se apaixonem por ela. A cidade tem plena capacidade de se tornar forte em qualquer cenário global.

De que forma o seu passado profissional pode ajudar Nova Friburgo?

Com a experiência à frente de Secretaria de Serviços Públicos e de Obras em diferentes governos, aprendi de perto a ajudar a resolver os problemas do nosso povo. Depois, na Câmara de Vereadores, lapidei ainda mais a minha experiência em projetos e ideais de melhorias para a cidade.

Existem favelas, comunidades e locais dominados pelo tráfico e pela milícia em Nova Friburgo, segundo dados da área de segurança pública do estado do Rio. Como lutar contra esse cenário que devasta a cidade e afasta oportunidades, investimentos e contamina o seu futuro?

O vice da minha chapa, De Luca da Federal, é um Policial Federal. Essa escolha já demonstra a preocupação com a segurança da nossa cidade. E mais, amigo da Ilona Szabó, que compartilha das mesmas ideias dela. A segurança pública não pode ficar a cargo das polícias federal e estadual. A participação municipal é essencial para a redução dos índices de criminalidade. Serão realizados treinamentos e aperfeiçoamentos da Guarda Municipal com parcerias com a Polícia Federal, Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Polícia Civil, Polícia Militar e as Forças Armadas. Será intensificada a presença da Guarda Municipal nas ruas, praças e no entorno das escolas, devolvendo a sensação de segurança. Será colocado em uso o “Cidade Inteligente” para monitorização dos principais pontos da cidade e integrar a Guarda Municipal aos sistemas de monitorização e de comunicação da cidade inteligente.

Como Nova Friburgo pode recuperar a sua imagem turística?

O turismo é um setor que vai ajudar a cidade a sair da crise causada pela Covid-19. Os brasileiros estão preferindo viajar dentro do país e para cidades do interior. Para receber os turistas, vou investir na recuperação de pontos turísticos da cidade e implementar a sinalização turística nas vias de acesso ao município. Vamos também criar projetos de Educação para o turismo nas escolas. Quem conhece a sua cidade, sabe vendê-la como atrativo turístico. A volta dos circuitos também é fundamental para a fomentação do setor. Será criado um portal onde estarão as informações turísticas da nossa cidade. A realização de eventos e festas típicas da nossa cidade são atrativos que devem ser promovidos e apoiados. E a participação em feiras nacionais e internacionais para divulgar Friburgo como o melhor destino turístico do interior do estado é fundamental, além de uma assessoria de imprensa especializada no assunto.

A cidade conta ainda, infelizmente, com muitos locais sem saneamento básico. O que deve ser feito, na sua opinião?

O objetivo é rever o contrato da empresa concessionária de água e esgoto para que o tratamento sanitário chegue a toda a cidade.

A situação das contas públicas lhe preocupa de alguma forma?

Hoje, sim. Mas, durante o próprio governo, o objetivo, junto com o vice, é reorganizar todas as contas para que o dinheiro público possa ser usado para o que é de direito: ajudar a população.

Se eleito, como será o seu relacionamento com o presidente da República?

O objetivo é manter um bom relacionamento em todas as esferas da política. Sou contra picuinhas eleitorais. Para o bem maior, que é a melhoria e desenvolvimento da cidade, é preciso diálogo, independentemente do partido ou do caminho político.

Sente-se de alguma forma incomodado em concorrer à prefeitura de Nova Friburgo, já que, popularmente, a imagem dos políticos não é das mais positivas, uma vez que governadores e prefeitos estão, nos últimos anos, envolvidos em casos negativos que fazem com que a opinião pública “condene” a atuação política em todos os níveis, incluindo vereadores, deputados, senadores, entre outros. Espera conseguir resgatar a confiança da população de Nova Friburgo?

De forma alguma. O meu objetivo sempre será ajudar e fazer o melhor, independentemente de críticas. Para resgatar a confiança, basta trabalhar direito, conversar com a população sempre e estar atento às suas necessidades.

Que balanço faz do seu trabalho como presidente da Câmara Municipal de Nova Friburgo?

Em 2017, fui eleito presidente da Câmara Municipal de Nova Friburgo pela terceira legislatura e sou reconhecido como um dos parlamentares mais atuantes do legislativo friburguense. Inclusive, sou o idealizador de várias comissões importantes da casa, como a Comissão de Direitos do Idoso e de Proteção à Família e a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. Fui responsável por vários projetos importantes no legislativo friburguense e nas Secretarias do executivo municipal. Como secretário, criei o refeitório escola, que serve almoço no valor simbólico de R$ 1, cerca de 0,15 euros, há mais de 15 anos. Criei o consultório dentário para os funcionários da Secretaria de Serviços Públicos, o “projeto sorriso feliz” e implantei o “projeto lápis no papel” para a educação e alfabetização dos funcionários mais humildes da prefeitura. E, agora, sou candidato a prefeito de Nova Friburgo, após mais de 20 anos de carreira política.

Há quantos anos está à frente da Câmara Municipal de Nova Friburgo ?

Por quatro mandatos fui vereador, por três, fui vice-presidente da Câmara e, por duas vezes, fui presidente do Legislativo.

Vai concorrer por qual legenda? Qual é a orientação política do seu partido?

Cidadania. O partido segue a linha do Parlamentarismo por entender que esta é a forma mais democrática de governo, no qual a sociedade elege “um Programa de Governo” e não “uma pessoa”. O programa vencedor é aquele com maioria constituída no voto, e não por acertos não republicanos, como acontece no Presidencialismo.

Quais são as suas ligações a Portugal?

A união com Portugal aconteceu em 2017. Fui convidado para participar da geminação, com objetivo de criar relações e mecanismos protocolares, entre cidades portuguesas e Nova Friburgo. Durante três anos consecutivos, desloquei-me a Portugal. Estive em Santo Tirso, cidade coirmã; em Belmonte, terra de Pedro Alvarez Cabral, onde fui nomeado Comendador, e em Penacova, onde o presidente da Câmara trabalha incessantemente com Friburgo. Nesse tempo, também estreitei laços com o então embaixador Jaime Leitão, cônsul-geral de Portugal no Rio de Janeiro.

Que imagem tem de Portugal?

Um país cheio de cultura, com povo acolhedor e cidades lindas.

Que locais prefere em Portugal?

Santo Tirso, Belmonte e Penacova.

Tem alguma interação com a comunidade ou cultura de Portugal no Brasil, em Nova Friburgo?

Existe uma colónia portuguesa em Nova Friburgo e o objetivo é fomentar e fazer com que essa colónia possa cada vez mais divulgar a sua cultura na cidade.

Por fim, que mensagem deixa para os eleitores de Nova Friburgo?

A minha vocação é servir. Amo a nossa cidade. Estou disposto a me entregar de corpo e alma para fazer o melhor para Nova Friburgo. Gosto de colocar a mão na massa e estar junto aos trabalhadores e ver o que está sendo oferecido para cada cidadão. E é isso que farei com o meu vice, De Luca, que fiscalizará as contas da prefeitura. Atuaremos em todas as áreas sem descanso.

Ígor Lopes

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