Brasil

Butantan prepara-se para receber matéria-prima para produzir vacinas contra a Covid-19.

O governo de São Paulo informou que uma nova remessa de matéria-prima da fábrica da biofarmacêutica Sinovac Life Sciences para o Instituto Butantan já foi embarcada na China. A carga com três mil litros de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) será utilizada para produzir cinco milhões de doses da vacina contra a Covid-19 em solo brasileiro. Os contentores foram transportados para o aeroporto local chinês para procedimentos de quarentena, desembaraço alfandegário e segurança.

Dados avançados também pelo governo de São Paulo sublinham que o estado completou 40,7 milhões de doses entregues ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Somente neste mês de abril, foram 4,5 milhões. O total de envios corresponde a 88,4% das 46 milhões de doses previstas até 30 de abril no primeiro contrato do Instituto Butantan com o Ministério da Saúde do Brasil. Em março foram disponibilizadas 22,7 milhões de doses. Em fevereiro, 4,85 milhões e, em janeiro, 8,7 milhões de unidades.

“Brasil usou e abusou do direito de errar”

O ex-ministro da Fazenda do Brasil e diplomata Rubens Ricupero debateu recentemente, durante o Foro Inteligência, as possíveis brechas para que o Brasil possa ter acesso e garantir a entrega de vacinas o mais rápido possível.

“A nossa imagem é a pior possível. Já somos percebidos como um risco sanitário pelos vizinhos. Um sério problema resultante do isolamento político, sobre o qual se fala pouco, é a distribuição da vacina. O Brasil pode ficar no fim da fila da vacina”, destacou Ricupero.

Desde o início da pandemia, o governo brasileiro, segundo Ricupero, “minimizou o problema, hostilizou a Organização Mundial da Saúde (OMS), rejeitou e ironizou a vacina da Pfizer”.

“O Brasil usou e abusou do direito de errar. Não fosse o governo de São Paulo, ainda nem teríamos vacina. Foi uma iniciativa de um governo subnacional. Essa sucessão de erros não se corrige facilmente”, ressaltou Ricupero.

Durante o evento, o diplomata avaliou que, caso não haja uma mudança concreta na política externa, vai haver cada vez mais um isolamento do Brasil. Ressaltando as inúmeras provocações do governo brasileiro à China, lembrou que o país asiático é extremamente suscetível, já que no passado sofreu muita humilhação dos ocidentais.

“O atraso no fornecimento da matéria-prima foi um sinal que o governo chinês mandou como uma advertência ao governo brasileiro. Tanto que agora o governo parou de insultar a China. O atraso foi de algumas semanas e o Brasil sentiu as consequências disso”, pontuou este responsável, que observou ainda que, para reverter a imagem do país, é necessário partir para mudanças concretas.

“O que esperamos é uma melhoria real. Boa parte dessa agenda deve focar no meio ambiente. Vamos mudar ou manter essa atitude de desafio, que pôs de lado o Fundo Amazónico? É preciso saber se o governo vai aproveitar essa mudança como uma oportunidade de ouro para repensar as premissas e reavaliar o que fizemos até agora e seguir um caminho diferente”, disse o diplomata.

Sobre a crise sanitária, Ricupero advertiu que já é de conhecimento da população que sempre haverá epidemias, risco intensificado pela globalização.

“Desde a gripe espanhola, já tiveram de sete a oito episódios de novas doenças. A diferença é que elas eram contidas nas regiões de origem. O mundo não tem sistema para controlar pandemias. O ideal seria um sistema preventivo que pudesse identificar a epidemia, antes de virar pandemia”, finalizou Ricupero.

Diplomacia brasileira agradece ajuda espanhola

Em nota publicada pelo Itamaraty, o governo brasileiro agradeceu a generosidade do governo da Espanha, que anunciou a doação de medicamentos do chamado “kit intubação” para abastecer os stocks dos hospitais brasileiros na linha de frente do combate à Covid-19.

“A doação será efetivada por meio da Direção-Geral de Proteção Civil e Operações Europeias de Ajuda Humanitária e atende a solicitação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, no contexto dos esforços da diplomacia da saúde, canalizada por meio da Embaixada do Brasil em Madrid e da Missão do Brasil junto à União Europeia”, informou o Itamaraty.

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