Brasil | Entrevista

Casa da Madeira de Santos celebra aniversário de “portas fechadas” em virtude da pandemia

No último dia 15, a Casa da Madeira de Santos, no estado de São Paulo, Brasil, completou 86 anos de existência. Mas este ano, em virtude da pandemia do coronavírus, a entidade não pode organizar a tradicional celebração dessa data. Essa instituição, que carrega o “galardão” de ter sido “a primeira entidade da diáspora fundada fora da Ilha da Madeira”, conta com centenas de associados e perpetua uma história de amor e auxílio aos madeirenses que chegavam ao Brasil através dessa região.

Em entrevista, Fernando Ribeiro Pereira, presidente da Casa, falou sobre a mudança provocada no quotidiano da instituição por conta do isolamento social imposto pelas autoridades, sublinhou o trabalho realizado em prol da manutenção da cultura madeirense em Santos, comentou sobre a integração desse equipamento cultural com a comunidade local e realçou parte da história da Casa, que é vista com orgulho e respeito pela comunidade madeirense e luso-brasileira.

Como avalia os 86 anos de existência da Casa da Madeira de Santos?

Acredito que temos uma existência de sucesso. Manter uma entidade, com património próprio, sem fins lucrativos, é um trabalho árduo. Estamos honrando a vontade dos fundadores, que escreveram os primeiros capítulos da nossa instituição, assim como o trabalho dos presidentes, conselheiros, diretores e colaboradores que já passaram pela Casa da Madeira.

Qual é o papel da Casa no seio da comunidade luso-brasileira?

A Casa teve como objetivo inicial, na sua fundação, dar assistência, até mesmo abrigo, aos madeirenses que chegavam ao Brasil pelo Porto de Santos. Essa foi a sua finalidade originária, ser um Porto Seguro aos madeirenses. Vieram muitos para Santos. Hoje, o seu maior propósito é manter a cultura madeirense e portuguesa, além de ser um ponto de confraternização não só dos madeirenses e dos seus descendentes, mas de toda a comunidade portuguesa de Santos e da Baixada Santista.

Como e quando nasceu a Casa?

A Casa da Madeira nasceu em 15 de abril de 1934 como “Centro Beneficente Madeirense”, com o objetivo de acolher e dar assistência aos muitos imigrantes que aportavam no Porto de Santos vindos da Madeira. Na década de 1950, após um período de adormecimento das suas atividades, um grupo de associados, em Assembleia, decidiu mudar o nome da entidade para Casa da Madeira, passando não só a dar assistência aos madeirenses que emigravam, mas também com a finalidade cultural de divulgação e manutenção das tradições madeirenses em nossa região. Lembramos que a Casa da Madeira em Santos foi a primeira entidade da Diáspora fundada fora da Ilha da Madeira.

Qual é a estrutura da entidade?

Temos uma sede própria, um casarão tombado pelo Património Histórico de Santos, composto por três pavimentos. No primeiro, funciona a nossa Secretaria, onde também temos uma sala de estar para receber autoridades e visitantes. No segundo pavimento, temos um pequeno apartamento, onde vive a nossa colaboradora mais antiga, Dona Maria Arlete Ferraz Cabo, que é madeirense de Câmara de Lobos. Já no terceiro, temos dois quartos, onde eram acomodados os imigrantes que buscavam ajuda na Casa. Hoje, servem como arquivo. No fundo do imóvel, temos o nosso Salão de Festas, com ocupação de até 250 pessoas devidamente acomodadas. Este Salão é uma das nossas fontes de recursos por meio de locação para festas particulares.

Onde estão localizados em Santos?

Na Vila Mathias, tradicional Bairro de Santos. Aliás, a Casa está localizada na Rua Júlio Conceição, nº 169, há mais 60 anos.

Quantos associados têm?

Hoje, temos algo próximo de 400 associados. São portugueses, não só da Madeira, luso-descendentes e muitos brasileiros que admiram a nossa Casa.

Que ações e atividades desempenham?

Sempre comemoramos o aniversário da Região Autónoma da Madeira, que foi uma conquista importantíssima para o arquipélago, assim como outras datas importantes, em especial o Dia de Portugal. Em 2019, participamos ativamente nas comemorações dos 600 anos de descobrimento do arquipélago da Madeira.

Como a instituição se integra com a comunidade local?

Harmoniosamente. Em nossa Casa, temos sempre a participação de vários representantes da comunidade Local, sejam autoridades políticas, dirigentes das entidades luso-brasileiras da nossa região e da capital, assim como de líderes de entidades de imigrantes de outras nacionalidades.

Como é presidir a entidade? Que desafios lhe são impostos?

Dirigir a Casa é um hobby. É muito prazeroso a um descendente de madeirenses, como eu, cuidar de uma instituição que tem como objetivo principal zelar pela cultura e tradições da terra natal dos seus pais. Essa alegria é compartilhada por todos os diretores e conselheiros da Casa da Madeira. Mas, também, é uma grande responsabilidade não deixar apagar essa chama de amor à cultura portuguesa. A maior dificuldade é trazer os jovens para dentro do nosso meio.

Há quanto tempo é o presidente?

Estou no meu terceiro mandato, de dois anos cada. O atual mandato vai até o final de 2021.

De que forma a pandemia está a impactar as atividades e o dia a dia da entidade?

A nossa Casa, atendendo às medidas das autoridades de saúde, esta fechada ao público e aos associados para evitar a aglomeração de pessoas. Tivemos de cancelar o nosso jantar de aniversário de 86 anos de fundação, comemorados no último dia 15 de abril. Também tivemos locações de festas em nosso Salão canceladas por conta da pandemia.

Acredita que a quarentena vá atrapalhar financeiramente a entidade?

Como todas as entidades culturais, a Casa da Madeira também sofrerá impactos financeiros, em especial pelo cancelamento da locação do nosso Salão de Festas.

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