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Conselho das Comunidades Portuguesas critica ataques à conselheira nas redes sociais

CCP
Flávio Martins, presidente do conselho permanente da CCP, e Angelo Horto, conselheiro pelo Brasil.

O Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) emitiu uma Moção de Solidariedade aos seus conselheiros depois que Luísa Semedo, presidente do Conselho Regional da Europa (CRE) da CCP, anunciou, no início de fevereiro, a sua demissão do cargo, por discordar e não querer manter contato, em reuniões, com o deputado português do partido Chega, André Ventura. Após essa iniciativa, a conselheira, residente em França, e o referido deputado voltaram a trocar acusações nas redes sociais.

“Considerando os intoleráveis e preconceituosos ataques, ofensivos da honra, do caráter e da qualidade do trabalho realizado pelos integrantes do CCP, o Conselho Permanente aprova, por unanimidade, MOÇÃO DE SOLIDARIEDADE a conselheiros/as deste órgão legal de aconselhamento ao governo e aos partidos políticos em matérias relativas às comunidades”, sublinha a carta, assinada por Flávio Martins, presidente do Conselho Permanente do CCP.

O documento, com data do dia 19 de fevereiro, e ao qual a e-Global teve acesso, frisa que o CCP se pauta pela “defesa legal dos anseios e necessidades de quem vive no estrangeiro”.

“Neste mandato, desde abril de 2016, nunca nos esquivamos a debater propostas ou (mesmo) críticas recebidas ou por nós formuladas, mas não toleraremos práticas discursivas baseadas em insultos decorrentes quer do desconhecimento das reais atribuições legais do CCP, quer de mentiras ou ilações que pretendam querer nos humilhar publicamente. Em seus mais de 30 anos, o CCP, apesar da histórica invisibilidade à qual as comunidades e este órgão foram submetidos, sempre direcionou a sua atuação na defesa legal dos anseios e necessidades de quem vive no estrangeiro, o que proporcionou a concretização de várias das propostas por nós apresentadas e o reconhecimento de direitos e empoderamento do cidadão de quem é tão português como qualquer outro”, ressalta o CCP, que explica que desempenha um papel político, mas sem conexões partidárias.

“Com o aumento exponencial dos eleitores nas comunidades, por meio de alterações legislativas, luta histórica do CCP, surgiram por elas interesses utilitaristas e, em alguns casos, um querer ser protagonista das nossas pautas por meio do desmerecimento do trabalho responsável e voluntário que conselheiros/as desenvolvem perante as suas comunidades locais ou junto a este Conselho no exercício dos seus legítimos mandatos. O CCP é um órgão político, mas apartidário; diverso e plural, porém unificado na defesa incondicional das comunidades portuguesas. Assim continuaremos e, por isso, reiteramos a solidariedade e a confiança nesse munus que cada um, cada uma, do CCP, realiza diuturnamente”, finaliza a nota da CCP.

Apesar da carta de apoio, apurámos que, nos bastidores, não são todos os conselheiros que concordam com as ações de Luísa Semedo.

“Ela quer se promover. Ela faz política como conselheira e não aceito isso”, defendeu uma fonte ligado ao CCP.

 

Discordância política

Toda essa movimentação aconteceu tendo como pano de fundo a reunião ordinária do Conselho Regional da Europa (CRE) do CCP, entre os dias 27 e 28 de fevereiro, no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa. O encontro colocaria no mesmo espaço Luísa Semedo e André Ventura, que utilizam as redes sociais para trocarem acusações sobre as suas visões políticas e ideológicas. Diante da possibilidade desse encontro, a então presidente do Conselho Regional da Europa (CRE) da CCP anunciou a sua demissão do cargo.

Assim que foi anunciada a decisão de Semedo, André Ventura posicionou-se publicamente nas redes sociais.

“Ótimo. É dinheiro que os portugueses poupam nestes tachos que não servem para nada. Espero que mais uns tantos e tantas lhe sigam o caminho”, escreveu Ventura.

Em seguida, também numa publicação nas redes sociais, Luísa Semedo contestou o deputado.

“É constrangedor que este jovem aspirante a Presidente de toda(o)s a(o)s Portuguesa(e)s não tenha nenhum conhecimento das comunidades e seja um perigo para os seus compatriotas que vivem no estrangeiro. Desconhece que a(o)s conselheira(o)s das comunidades portuguesas não são de todo remunerados, que este cargo para o qual fomos eleitos pelos portugueses residentes no estrangeiro é voluntário e não é nenhum tacho. Sei bem que parece impossível para certas mentes que outras pessoas possam dar do seu tempo e energia por uma causa, mas é o caso da(o)s conselheira(o)s. Muitos de nós somos também dirigentes associativos e estamos constantemente no terreno, muitas vezes em detrimento do tempo com a nossa própria família”, publicou Semedo.

Entre os dias 12 e 13 de março, acontece em São Paulo, no Brasil, a reuniões do Conselho Regional da América Central e América do Sul.

 

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