Brasil

Deputada brasileira com ligações a Portugal é alvo de tiros no Rio de Janeiro

As investigações em torno do atentado sofrido pela deputada estadual brasileira Martha Rocha, no último domingo, dia 13, no Rio de Janeiro, evoluíram nas últimas horas. Segundo a Delegacia de Homicídios da Capital, o suspeito de atirar no carro da deputada já foi identificado. Trata-se de um traficante e assaltante de carros. Os policiais suspeitam que os criminosos saíram de um baile funk, encontro que reúne moradores de baixa renda nas comunidades do Rio, numa favela na Zona Norte da cidade e “resolveram assaltar o veículo da deputada, sem saber que ela estava no carro com o condutor, um policial militar, e a sua mãe, a caminho da igreja”.

Após prestar depoimento à Polícia Civil, a deputada, que é luso-brasileira, revelou ter recebido, em novembro do ano passado, três ameaças por parte de grupos criminosos que actuam na cidade. As ameaças foram reveladas à governante por meio do Disque Denúncia, que é um órgão local que recebe mensagens de cidadãos sobre variados temas, incluindo denúncias anónimas. Diante disso, Martha Rocha procurou as autoridades e solicitou uma análise de risco dessas ameaças, mas não pediu proteção policial. A deputada referiu que, nessa altura, “desejava saber apenas se a notícia do Disque Denúncia tinha fundamento”. Para a sua proteção, Martha Rocha comprou um carro blindado, um Toyota Corolla branco, e foi esse veículo que foi alvo dos tiros. No momento do ataque, o bandido usava uma toca para esconder o rosto.

 

Respostas à sociedade

Em declarações à nossa reportagem, Martha Rocha mostrou-se confiante na apuração do caso por parte das autoridades e disse que é preciso que o Estado dê uma resposta definitiva em relação ao seu caso e também em relação a outros casos que deixam a sociedade amedrontada. Martha Rocha e a mãe não se feriram. Já o condutor levou um tiro na altura do tornozelo. Levado ao hospital, recebeu atendimento e depois foi liberado.

Neste momento, a deputada conta com escolta policial determinada pelo recém-empossado governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que fez questão de ir à Delegacia de Homicídios para prestar solidariedade à deputada e acompanhar o início das investigações junto ao secretário da Polícia Civil, Marcus Vinicius Braga.

“Não podemos deixar impunes quem quer que seja que atente contra o Estado Democrático de Direito. Tive a informação de que uma linha inicial de investigação aponta que possivelmente houve uma tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte), já que há outras ocorrências no local e a polícia já estava investigando meliantes que agem ali. Pedi ao secretário que determine uma escolta imediata para a deputada, já que ainda não sabemos se é um atentado ou um latrocínio”, disse o governador, que mantém um discurso “linha dura” de enfrentamento à criminalidade no Rio.

“Quero deixar bem claro que nós não teremos leniência na investigação contra quem quer que seja do crime organizado, os participantes do narcoterrorismo e os milicianos, que não deixam de ser também pertencentes a esse tipo de organização terrorista que está atingindo o nosso estado. A polícia vai investigar todos, não tenho compromisso com bandidos nem vagabundos, o meu compromisso é com a sociedade”, frisou Witzel, que sublinhou ainda que pretende “trazer o Rio de Janeiro de volta à normalidade, com uma polícia independente, agindo com rigor, para que nós possamos rapidamente identificar quem está cometendo crimes”.

 

Perfil de combate à criminalidade

Em outubro de 2014, Martha Rocha foi eleita deputada estadual com 52.698 votos pelo Partido Social Democrático (PSD) e começou a militar em torno da Segurança Pública e no combate à violência contra as mulheres, tendo criado delegacias de proteção ao público feminino. Nas últimas eleições de outubro, Martha Rocha foi reeleita para o cargo.

Na Assembleia Legislativa do Rio, assumiu a presidência da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência Contra às Mulheres. Também é membro das comissões de Direitos Humanos, das Mulheres, de Cultura e Ética e Decoro Parlamentar. Está ainda a presidir uma comissão que vai analisar o possível impeachment de Luiz Fernando Pezão, ex-governador do Rio, que foi preciso no ano passado, ainda durante o mandato, em virtude de denúncias de corrupção.

Martha Rocha foi também a primeira mulher Chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

 

Políticos ameaçados

Outros casos envolvendo ataques a políticos foram registados no Rio de Janeiro recentemente. Em março do ano passado, foi assassinada a vereadora Marielle Franco (PSOL) num bairro central do Rio. Os criminosos estavam num carro que emparelhou com o da vereadora e efectuaram vários disparos, que também mataram o condutor. Até o momento, não há desfecho do caso, mas as autoridades acreditam que tenha havido “motivações políticas” na morte da governante por parte dos criminosos, que poderão estar ligados à facções criminosas e à milícia, que é um grupo que comanda várias comunidades do Rio.

Está em marcha também uma investigação para apurar um plano, descoberto pelas autoridades do Rio, para matar o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), eleito em outubro deputado federal. A informação sobre a possibilidade de assassinato do parlamentar, cuja trajetória política é marcada pelo combate às milícias, foi recebida pelo Disque Denúncia e transmitida às autoridades. Freixo é hoje também candidato à Presidência do Congresso Nacional.

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