Descendente de ucranianos, empresário brasileiro lamenta o conflito e diz já sentir impacto nos negócios

Igor Mazepa Baran tem 57 anos de idade e vive na cidade de Curitiba, no Brasil. É brasileiro com descendência ucraniana, tendo a sua família migrado para o Brasil no início do século passado. “Os meus bisavôs vieram para o Brasil e trouxeram os filhos. O meu avô estava com 11 anos na época”, conta. 

“Obviamente que vejo com muita tristeza esta situação. É impossível aceitar um ataque destes em pleno século XXI. Provavelmente, tenho familiares lá, mas não os conheço. Amigos, alguns que conheci aqui no Brasil e outros que fiz quando estive na Ucrânia em 2019”, conta Igor Mazepa Baran, que sublinha que os seus avós paternos, nascidos na Ucrânia, vieram para o Brasil em 1911.  

Hoje, Igor Baran mora em Curitiba, no Estado do Paraná, região Sul do Brasil, cidade onde nasceu há 57 anos. Este descendente de ucranianos é empresário, dono de um famoso bar localizado dentro da Sociedade Ucraniana do Brasil. 

“É um bar temático ucraniano. Faz parte desta Sociedade o Folclore Ucraniano Barvinok, o mais antigo do Brasil. Faço parte do Barvinok, atualmente cantando no coral”, refere Igor Baran, que conta que “o Estado do Paraná concentra a maior comunidade ucraniana do Brasil, tem diversos grupos folclóricos e inúmeras igrejas ucranianas”

E, segundo apurámos, a invasão da Rússia ao território ucraniano está já a impactar o seu negócio, uma vez que Igor Baran está a ter dificuldades para conseguir algumas bebidas para vender. 

“Bebidas não estou conseguindo mais. Comidas temos o varenek (pastéis cozidos), holoptchi (charuto de repolho recheado com trigo sarraceno) e borscht (sopa de beterraba que contém também repolho, carnes e endro). Algumas bebidas eu conseguia que alguns amigos trouxessem da Ucrânia e também, por um bom tempo, conseguia comprar no Paraguai. Sei que no Paraguai ainda se encontra, mas não tenho quem traga. Trata-se da vodka ucraniana Nemiroff”, confirma Igor Baran, que não esconde a sua preocupação com o conflito. 

“Primeiramente, temos esperança de que haja um entendimento e acabe logo (a guerra). Obviamente que nós, descendentes, como o próprio povo da Ucrânia, queremos que quando tudo isto acabar, continue o processo de entrada (da Ucrânia) na União Europeia e que o país fique longe da influência russa. O povo lá lutou tanto por isto e, agora, pode haver um retrocesso”, afiança Igor Baran, que mantém contato diário com a comunidade ucraniana neste país da América do Sul. 

Ígor Lopes

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