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Especialista brasileiro defende acordo entre Mercosul-UE: “abertura económica pode trazer benefícios”

No final de junho, a organização do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia fecharam o tão aguardado acordo de livre-comércio, após mais de duas décadas de negociações. O Acordo de Associação Estratégica entre os dois blocos, que foi fechado após 48 horas de intensas negociações entre ministros dos países do Mercosul e a Comissão Europeia em Bruxelas, criará, segundo fontes, “uma das maiores áreas de comércio livre do mundo”. A expectativa é que a abertura económica entre as duas regiões possa ajudar em termos de mercado e na geração de empregos.

Segundo Ricardo Balistiero, professor e coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia no Brasil, o sistema financeiro brasileiro, e dos países integrantes do Mercosul, será impactado com a assinatura do acordo entre Mercosul e a União Europeia.

“O sistema financeiro pode ser positivamente afetado se a abertura ampliar as possibilidades de negócios. Neste momento, considerando que o ritmo da economia é bastante lento, o sistema financeiro tem conseguido lucrar com operações de tesouraria, uma vez que a atividade económica está semi-estagnada”, afirmou Balistiero, que acredita que o Brasil precisa apostar em incentivos para os empresários conseguirem conviver com a concorrência de outros países.

“Infelizmente, o Brasil não tem uma política industrial sólida. A abertura económica pode trazer benefícios ao consumidor final no médio prazo, mas, se não houver um direcionamento por parte do governo, em termos de incentivos e metas bem definidas para algumas áreas, muitos setores podem sair prejudicados pela concorrência estrangeira”, finalizou Balistiero.

 

Portugal celebra assinatura do acordo

Em comunicado, o governo português comemorou a conclusão das negociações políticas do Acordo Comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

“Trata-se de um momento histórico para as relações entre a UE e o Mercosul, que culmina 20 anos de negociação e confere uma profundidade estratégica acrescida a esta parceria política e económica. Num contexto de fortes tensões no comércio internacional, este Acordo representa também um sinal inequívoco de que tanto a UE como o Mercosul apoiam um sistema de comércio aberto e assente em regras. Esta nova parceria comercial, ambiciosa, abrangente e equilibrada, cria um mercado de cerca de 800 milhões de consumidores, gerando importantes oportunidades para ambas as partes”, pode-se ler no texto.

O comunicado sugere ainda que “o Acordo consagra elevados padrões de segurança alimentar, de proteção dos consumidores e de cobertura das áreas social e ambiental, reforçando, nomeadamente, os compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris. Para Portugal, unido por fortes laços históricos, políticos, económicos e culturais aos países do Mercosul, a conclusão das negociações, objetivo para o qual muito contribuímos ao longo de todo o processo, constitui motivo de grande satisfação”.

 

Brasil vê iniciativa como “histórica”

Também em comunicado, o governo brasileiro defendeu que o acordo constitui um “marco histórico” para o relacionamento entre as duas partes, que representa um mercado na ordem dos 100 mil milhões de euros com 770 milhões de consumidores, 260 milhões só no Mercosul.

“O acordo garante os principais objetivos traçados pelos países do Mercosul ao melhorar as condições de acesso de bens e serviços para as nossas exportações ao mesmo tempo que permite um tempo de transição para a abertura comercial de bens e serviços dos europeus. O acordo transcende os fins meramente comerciais”, refere o comunicado.

 

Término das taxas de telefonia

Uma das primeiras ações do bloco sul-americano após a assinatura do acordo com os europeus foi aprovar a eliminação da cobrança dos encargos de roaming internacional aos usuários finais do Mercosul. Ou seja, cidadãos residentes nos países desse bloco não terão mais que pagar as taxas impostas pelas operadoras telefónicas quando estiverem em circulação pelos países integrantes, a exemplo do que acontece na UE.

“A eliminação das tarifas de roaming internacional móvel é uma medida de integração concreta para os cidadãos dos Estados Partes e uma etapa fundamental com vistas a fortalecer a integração regional e facilitar as relações comerciais no âmbito do Mercosul”, comentaram membros do conselho do mercado comum.

 

Brasil assume presidência do Mercosul

O Brasil assumiu, no dia 17 de julho, a presidência “pro tempore” do Mercosul, que estava a ser ocupada pela Argentina. A presidência brasileira se estenderá até o final deste semestre.

“Há uma convergência entre os seus quatro membros fundadores no sentido de transformá-lo em instrumento para reforçar a competitividade e aumentar a integração das suas economias com os mercados regional e global. O acordo com a União Europeia é evidência deste novo momento vivido pelo Mercosul. Durante a nossa presidência, o Brasil buscará preservar e fortalecer as linhas de ação adotadas durante o mandato argentino, no sentido de intensificar a negociação de acordos comerciais externos, reduzir a Tarifa Externa Comum e dar seguimento aos esforços de racionalização do funcionamento do bloco, com diminuição de custos e burocracia”, afirmou o governo liderado por Jair Bolsonaro.

Dados do Ministério das Relações Exteriores do Brasil mostram que os países do Mercosul equivalem à quinta economia do mundo. Desde a sua fundação, as trocas comerciais do agrupamento multiplicaram-se quase dez vezes: de US$ 4,5 mil milhões, em 1991, para US$ 44,9 mil milhões, em 2018.

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