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Governo brasileiro apresenta superávit comercial recorde e apresenta número para 2018

Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) sublinham que o resultado da balança comercial de janeiro a novembro de 2017 apresentou superávit comercial de US$ 62 mil milhões, “o maior da história”. O recorde, ainda segundo o governo federal, era de US$ 43,3 mil milhões em 2016.

Segundo levantamento do MDIC, no período acumulado de janeiro a novembro de 2017, as exportações foram de US$ 200,154 mil milhões. Em relação à 2016, as vendas externas registaram crescimento de 18,2%, pela média diária. As importações somaram US$ 138,146 mil milhões, aumento de 9,6%, também pela média diária, sobre o mesmo período anterior (US$ 126,027 mil milhões).

A corrente de comércio, soma de exportações e importações, alcançou a cifra de US$ 338,301 mil milhões, representando aumento de 14,6% sobre os onze primeiros meses de 2016, pela média diária (US$ 295,321 mil milhões).

“O superávit recorde em 2017 deve-se ao aumento das exportações e das importações durante o ano. Importa destacar esse desempenho porque o saldo aferido em 2016 foi resultado de uma queda nas importações de 20% e também das exportações de 3,5%, em relação a 2015. Agora, temos uma retomada real da economia e sobretudo no comércio exterior brasileiro”, disse o ministro Marcos Pereira, do MDIC.

O secretário de Comércio Exterior do MDIC, Abrão Neto, avalia que o valor das exportações e das importações de janeiro a novembro já supera o valor total de 2016.

“As exportações e importações brasileiras de janeiro a novembro registaram crescimento de quase todos os produtos, e muitos tiveram aumento em quantidade e preço”, afirmou Neto.

Nas vendas externas do período, os preços subiram em média 10,7% e as quantidades, 6,9%. Nas importações, os preços foram 3,7% superiores e as quantidades 5,8% maiores que no mesmo período de 2016.

 

Exportações valorizadas

No acumulado de janeiro a novembro de 2017, as três categorias de produtos registaram crescimento em relação a igual período de 2016: básicos (28%) semimanufaturados (13,8%) e manufaturados (9%).

Com relação à exportação de produtos básicos, houve aumento de receita de petróleo em bruto, minério de ferro, minério de cobre, soja em grão, carne bovina, milho em grão, carne de frango, carne suína e algodão em bruto. Nos semimanufaturados, os maiores aumentos ocorreram nas vendas de semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido, madeira serrada, ferro-ligas, óleo de soja em bruto, açúcar em bruto e celulose. No grupo dos manufaturados, houve crescimento principalmente em óleos combustíveis, máquinas para terraplanagem, tractores, automóveis de passageiros, veículos de carga, laminados planos, óxidos e hidróxidos de alumínio, chassis com motor, açúcar refinado, autopeças, calçados, pneumáticos, motores para veículos e partes.

Por mercados compradores, cresceram as vendas para os principais destinos: Ásia (26,9%), Mercosul (18,6%), Estados Unidos (17,3%), Oriente Médio (16%), América Central e Caraíbas (+14,4%), Oceania (4,6%), e União Europeia (4,1%). Os principais países de destino das exportações, no acumulado janeiro-novembro/2017, foram: 1º) China (US$ 46,4 mil milhões), 2º) Estados Unidos (US$ 24,5 mil milhões), 3º) Argentina (US$ 16,0 mil milhões), 4º) Países Baixos (US$ 8,6 mil milhões) e 5º) Japão (US$ 4,8 mil milhões).

 

Importações com números menos positivos

No acumulado janeiro-novembro de 2017, quando comparado com igual período anterior, houve crescimento em combustíveis e lubrificantes (41,2%), bens intermediários (10,7%) e bens de consumo (7,5%), enquanto decresceram as compras de bens de capital (-13,5%).

O MDIC revelou que, por mercados fornecedores, cresceram as compras originárias dos principais mercados como Oceania (59,7%), África (17,5%), Ásia (15,1%), Estados Unidos (5%), Mercosul (2,7%) e União Europeia (2,5%). Os principais países de origem das importações foram: 1º) China (US$ 25,6 mil milhões), 2º) Estados Unidos (US$ 22,8 mil milhões), 3º) Argentina (US$ 8,7 mil milhões), 4º) Alemanha (US$ 8,5 mil milhões) e 5º) Coreia do Sul (US$ 4,9 mi milhões).

 

Projecções do MDIC para 2018

O secretário Abrão Neto destacou que para 2018 resultados ainda melhores são esperados. Segundo este responsável, poderá haver aumento do comércio pelo segundo ano consecutivo.

“A nossa expectativa é que os valores tanto das exportações como das importações sejam os melhores dos últimos três anos, superiores a 2015, 2016 e 2017”, sugere Neto, que enumera as as principais projecções do Ministério para este ano:

– Aquecimento da procura interna. “O crescimento esperado para a economia brasileira em 2018 deve intensificar a procura por importações, tanto por parte das empresas – com o interesse na aquisição de bens intermediários, insumos e bens de capital – como das famílias brasileiras que, com o aumento de renda e da confiança na economia, devem aumentar as aquisições, principalmente de bens de consumo”.

– Aumento da produção de commodities minerais, em especial, de petróleo e de minério de ferro. A previsão da Agência Nacional de Petróleo (ANP) é de crescimento da produção de petróleo em bruto de 11,5%. O que representará, consequentemente, na avaliação do secretário, aumento das exportações desses dois itens em 2018.

– Manutenção do volume exportado de grãos. “Temos a previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) da segunda maior safra de grãos da história, com 226,5 milhões de toneladas, uma redução de aproximadamente 5% em relação à safra recorde de 2017. E esta segunda maior safra, combinada com nível elevado de estoque de grãos, deve fazer com que mantenhamos o nosso volume de vendas externas em quantidade para 2018”.

– Projecções de crescimento da economia e do comércio mundial. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia mundial deve crescer 3,7% neste ano, inclusive com aumento de importantes parceiros comerciais brasileiras como a China, que deve crescer 6,5%, além de EUA (2,3%), Argentina (2,5%), Zona do Euro (1,9%), além de América Latina e Caraíbas (1,9%). Já a Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê que o comércio mundial cresça 3,2% em volume em 2018. “Ambos os aumentos – da economia e do comércio mundiais – devem contribuir para o bom desempenho da balança comercial brasileira”.

– Manutenção do nível da taxa de câmbio. Esta é uma previsão do Boletim Focus de taxa média do dólar de 3,31 reais para o ano. Algo parecido com a média de 2017, que foi de 3,19 reais. “Seria uma desvalorização do real frente ao dólar de aproximadamente 4%, apenas”.

– Acções de abertura e facilitação de comércio. Teremos efeitos positivos de acções em curso realizadas pelo MDIC. “Eu destaco o início da vigência do nosso Acordo Automotivo com a Colômbia, permitindo em 2018 a exportação de uma cota de 25 mil unidades de veículos sem Importo de Importação”, disse o secretário, reforçando que o sector também prevê um aumento de 10,6% nas exportações gerais de veículos em 2018. Abrão citou ainda o início da vigência do Acordo de Livre Comércio com o Egito, para onde o Brasil exportou US$ 2,4 mil milhões em 2017.

– Portal Único de Comércio Exterior. Em implantação faseada, o Portal Único de Comércio Exterior permitiu, em 2017, o início do Novo Processo de Exportações. Para 2018, está previsto o início do Novo Processo de Importação. O secretário ressaltou que ao longo de 2017 os dois sistemas existentes, o actual e o novo, conviveram paralelamente. Mas que, a partir de 2 de julho de 2018, todas as exportações deverão ser feitas, exclusivamente, por meio do Portal Único de Comércio Exterior. “Com isso, esperamos ganhos nas nossas vendas externas e corrente de comércio, sendo que, ao longo de 2018, será implantado também o Novo Processo de Importações que trará menos burocracia e outras vantagens para o comércio exterior brasileiro”.

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