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“Guerra” entre traficantes aterroriza o Rio de Janeiro

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, revelou que tropas do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar (PM) vão permanecer na comunidade da Rocinha, na Zona Sul carioca, pelo “tempo que for necessário” para evitar novos confrontos entre facções criminosas.

O governador reiterou que “vem tomando todas as providências necessárias para combater a violência no Estado do Rio, apesar da crise financeira” e que “solicitou, em julho, à Presidência da República, o emprego das Forças Armadas para a garantia da lei e da ordem no estado”. Pezão sublinhou ainda “que tem trabalhado em parceria com o governo federal no enfrentamento à crise de segurança pública desencadeada por organizações criminosas, que vem se agravando com a entrada de drogas e armas pelas linhas fronteiriças do estado”.

“O que me cabia fazer, eu fiz. Fui ao presidente Michel Temer, pedi a garantia da lei e da ordem, pedi o reforço das Forças Armadas, pedi uma presença maior da Polícia Rodoviária Federal. O Rio não é fabricante de fuzil, não tem fábrica de armas, não é um refinador de cocaína, não tem plantação de maconha (cannabis). Somo cercados por rodovias federais. (…) Precisamos, cada vez mais, dessa integração que nós estamos fazendo, vamos aperfeiçoá-la e melhorá-la cada vez mais. Nunca se prendeu tanto nesse estado, nunca se apreendeu tanto fuzil. Já são mais de 300 fuzis apreendidos este ano”, defendeu Pezão.

Nos últimos dias, confrontos entre traficantes na Rocinha, comunidade conhecida pela sua dimensão e densidade populacional, mexeram com o cotidiano da cidade, obrigando a PM a realizar operações para prender criminosos envolvidos na disputa pelos pontos de venda de drogas. Foram feitas ainda abordagens em diferentes localidades da cidade.

A violência não tem poupado nem a população, nem as autoridades e nem mesmo os principais astros da música mundial que estão no Rio para se apresentarem no festival de música Rock in Rio.

Os británicos Chris Lowe e Neil Tennant, da dupla “Pet Shop Boys”, foram assaltados na orla de Copacabana enquanto caminhavam no famoso calçadão, por volta das 20h30. Os músicos admitiram que dispensaram os seguranças para dar uma volta no dia seguinte ao show, mas acabaram sendo assaltados por quatro travestis armados com faca. Os dois músicos perderam tudo o que levavam: dinheiro e telemóveis, mas não quiseram prestar queixa na esquadra da polícia. A dupla estava hospedada no Copacabana Palace, um dos hotéis mais emblemáticos da cidade.

E como a crise financeira é, segundo as autoridades fluminenses, um dos entraves na manutenção da ordem pública, o governo estadual decidiu que, em breve, irá enviar à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro um projecto de lei para a criação de um fundo de recursos para a área de segurança, “atrelado à arrecadação de royalties do pré-sal”.

 

Empresas com prejuízo devido à violência

Os empresários em actuação no Rio de Janeiro estão a deixar o estado devido à falta de segurança nas principais rodovias fluminenses. Cargas de grande valor, como eletrodomésticos e outras encomendas, são roubadas por bandidos fortemente armados enquanto estão a ser transportadas.

Em julho foi lançado o plano Carga Segura com o intuito de enfrentar o roubo de cargas, elaborado pela Secretaria de Segurança do Rio. O plano, que vai ser estendido até o fim de 2018, inclui um conjunto de acções que envolvem o Estado, com reforço e participação da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, além da integração com os ministérios da Justiça e da Defesa e do sector privado. Actualmente, 1.220 agentes da Polícia Rodoviária Federal ajudam no policiamento ostensivo no Estado do Rio de Janeiro.

O governo do Rio sublinha que os índices de roubos de cargas nas estradas federais que cortam o estado “diminuíram mais da metade”. Esse resultado, segundo o governo, é fruto da integração entre as Forças de Segurança estaduais e federais.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), no início do segundo semestre deste ano, houve reforço no patrulhamento das rodovias e foi nesse momento que “os roubos começaram a diminuir”: de 117 casos, em junho, para 37 roubos, em agosto. Na Via Dutra, que liga o Rio de Janeiro a São Paulo, os roubos caíram 52%. Entre 15 de junho e 14 de julho, foram 57 casos. Entre 15 de julho e 17 de agosto, o número registado foi de 27.

De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), nos três últimos meses, o roubo de cargas diminuiu em todo o estado. Em maio, foram 1.239 casos, enquanto que em julho foram registados 908 roubos de cargas.

 

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