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Ministro de Michel Temer suspende funções até serem clarificadas acusações

O ministro do Planeamento brasileiro, o senador Romero Jucá, suspende as funções do cargo que assumiu há dez dias, até serem clarificadas acusações de corrupção. Romero Jucá pretende continuar no Senado.

Jucá confirmou que apresentará ao Ministério Público Federal (MPF) um pedido formal para que seja feita uma rápida infestigação sobre o caso das gravações divulgadas pela Folha de S. Paulo que o implicam. Romero Jucá frisou que, dependendo do resultado do MPF, voltará ou não para o ministério.

Apesar de ter anunciado que a sua saída do ministério era uma “licença” (isentar-se temporariamente do serviço), a situação de Romero Jucá e a sua exoneração, que será publicada no Diário Oficial de terça-feira como “a pedido”, é tratada como irreversível.

A “licença” foi a saída encontrada por Jucá para minimizar o resultado da divulgação da conversa com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, na qual refere um “pacto” para parar com a Operação Lava Jato, devido a Michel Temer assumir a Presidência da República e dá a entender, inclusive, que o senador Aécio Neves, também participou no esquema de suborno estatal. Ao dizer que irá voltar ao Senado, mesmo que provisoriamente, o senador colocou-se fora do governo.

A situação teria mudado, entretanto, depois da divulgação da íntegra das gravações, mostrando que, ao contrário do que sustentou o senador, as denúncias são bem mais graves. Jucá tentava argumentar que quando falou em “pacto”, na conversa, referiu-se a uma forma de fazer a economia andar no país, evitando que os programas e ações ficassem paralisados por conta das investigações da Lava Jato.

O senador chegou a afirmar que parte da gravação teria sido “editada” para incriminá-lo e manipular uma má imagem sua. Só que a íntegra da conversa deu a entender, segundo membros do MPF e até integrantes do Executivo, que o pacto mencionado por Romero Jucá era, mesmo, uma forma de, com a subida de Temer para o Planalto, proteger os políticos nas denúncias da operação.

A sua saída foi decidida numa segunda reunião no Palácio do Jaburu, residência oficial do presidente interino Michel Temer, no início da tarde de segunda-feira, depois de o jornal Folha de S. Paulo apresentar as gravações e mostrar que, ao contrário do que afirmava Jucá, o ministro não falava de economia ao falar de “estancar a sangria”.

A avaliação, feita pelo próprio ministro, Temer e outros auxiliares mais próximos, foi de que a situação era insustentável, disse à Reuters uma fonte palaciana.

Dyogo de Oliveira, ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda e atual número 2 do Planeamento ficará como interino até o governo decidir quem colocar no lugar de Jucá.

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