Brasil

No Brasil, Conselho Mundial das Casas dos Açores avalia destino das entidades da diáspora açoriana

Rui Bettencourt, Secretário Regional Adjunto da Presidência da Região Autónoma dos Açores para as Relações Externas

O Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, foi palco, entre os dias 5 e 8 de dezembro, da XXI Assembleia Geral do Conselho Mundial das Casas dos Açores (CMCA). O encontro reuniu as 14 Casas dos Açores que integram o Conselho Mundial, provenientes do Canadá, Estados Unidos, Bermudas, Brasil, Uruguai e Portugal continental, que discutiram os principais desafios e problemas que se colocam às comunidades açorianas da Diáspora.

Durante a Assembleia-Geral, o Secretário Regional Adjunto da Presidência da Região Autónoma dos Açores para as Relações Externas, Rui Bettencourt, afirmou que é preciso “ir mais além” na questão da Diáspora açoriana e do que é ser açoriano no mundo.

“Estamos num momento em que temos que ir mais além para perdurar a Diáspora açoriana e essa identidade cultural que nós temos”, frisou Bettencourt, que sublinhou ainda ser preciso “dar passos”, considerando que os açorianos têm “cada vez mais consciência” do que são e da força que representam.

Na opinião do governante, cada um “tem um papel importante a fazer” no sentido de promover a cultura açoriano e defender a história e o património do arquipélago, salientando que “todos os dias o fazem no trabalho que desenvolvem nas Casas dos Açores e demais organizações e instituições, bem como nas comunidades onde vivem, onde os Açores estão bem presentes e onde a açorianidade se manifesta das mais diversas formas”.

“Tudo isto reforça a ideia de que ser açoriano é muito mais do que viver no arquipélago e reforça a ideia de que agora é o tempo de nós, em particular numa ação pública e política, podermos agir no sentido de convencer os açorianos do arquipélago de que temos que ir mais além nessa questão”, afirmou o Secretário Regional Adjunto, que acredita que a questão açoriana “é muito mais do que uma questão de integração”, mas antes “uma questão de sentimento forte por uma região” e “uma questão de Diáspora de um Povo difundido pelo mundo todo”.

 

Troca de experiências

Fernando Fagundes, presidente da Casa dos Açores do Rio de Janeiro, disse que a Assembleia possibilitou adquirir novas experiências tendo em vista discussões em torno do destino da comunidade açoriana no mundo.

“O evento possibilitou troca de ideias e intercâmbios entre as associações e isso é muito positivo, pois podemos acompanhar o que se vai se passando nas nossas Casas, as perspectivas de futuro e posições e posturas que podemos adoptar”, ressalvou Fagundes.

Por sua vez, Sérgio Ferreira, presidente da Casa dos Açores de Santa Catarina, defendeu que a Assembleia tem o papel fundamental de mostrar o que cada entidade açoriana faz em prol da açorianidade e da sua manutenção.

“O encontro discutiu os rumos e os desafios das comunidades da diáspora açoriana. Cada Casa tem desafios próprios, mas muitos são comuns a todas, sobretudo a participação dos jovens nas comunidades. Os relatórios apresentados por todas as Casas demonstram o quanto cada uma tem trabalhado para manter a açorianidade nas comunidades da diáspora. Essa açorianidade acontece em comunidades formadas no século XVIII, XIX, XX e XXI”, sublinhou Ferreira, que comentou ainda que “o evento reúne, anualmente, desde 1997, os presidentes das 14 casas dos Açores existentes em Portugal continental, Canadá, Estados Unidos da América, Brasil e Uruguai”. Este responsável recordou que, no Brasil, há quatro casas filiadas ao CMCA: Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Carla Marques Gomes, presidente da Casa dos Açores do Rio Grande do Sul, que detém a presidência do CMCA, mostrou-se satisfeita com o resultado do evento, que contou com sessões de trabalho internas de apresentação das atividades das diversas Casas dos Açores.

O evento ficou marcado também pela atribuição do Certificado de “Produto Açoriano de Qualidade” à Viola da Terra da ilha Terceira.

A próxima reunião deste órgão terá lugar, em 2019, na Bermudas, sob a presidência da Casa dos Açores daquele arquipélago, aliando as comemorações do 170.º aniversário da chegada dos portugueses naquela região.

 

Dedicação à diáspora açoriana

O Conselho Mundial das Casas dos Açores, fundado em 1997, é constituído pelas Casas dos Açores do Norte, de Lisboa e do Algarve, em Portugal continental, do Winnipeg, do Quebeque e do Ontário, no Canadá, de Hilmar e de Nova Inglaterra, nos EUA, da Bermuda, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, no Brasil, e do Uruguai, sendo também membro do CMCA a Direção Regional das Comunidades do governo açoriano.

O CMCA tem por objetivos congregar as comunidades açorianas e dar a conhecer os Açores, os Açorianos e a sua cultura às populações das suas respetivas áreas de influência, promovendo e desenvolvendo atividades que contribuam para a afirmação dos Açores e da sua Diáspora, defendendo os interesses da Região e promovendo relações sociais, culturais e económicas entre o arquipélago e os territórios onde estão inseridas cada uma das instituições que o integram.

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